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Custos do Acompanhamento Clínico

Poucos se atentam…

Sempre que abordamos pacientes com cardiopatia estrutural temos a discussão clássica de intervenção com o mais sofisticado disponível. É óbvio que isso traz um custo financeiro muitas vezes relevantes e essa gestão de recursos é muitas vezes alvo de debates éticos e filosóficos.

Indo além na questão, o acompanhamento clínico aparentemente não agregaria um custo visível direto, mas vendo a curva de desfechos, esses casos também podem ser relacionados a um custo elevado em determinadas situações.

Em casos de estenose aórtica, recentemente tivemos a publicação de um grande trial que discutia a abordagem precoce por via trasncateter em pacientes assintomáticos e como isso apresentava impacto positivo no desfecho combinado de mortalidade, AVC e reinternação hospitalar.

Embora em alguns debates, a inclusão da reinternação hospitalar tenha sido alvo de polêmica se deveria constar no desfecho primário, em uma visão estratégica de gestão financeira, sua presença com esse grau de atenção é fundamental.

Imaginando se tratar de pacientes complexos e cheios de comorbidades, as descompensações de insuficiência cardíaca levam invariavelmente a elevados custos hospitalares, não isentando a chance de ir para a intervenção transcateter tão criticada pelo elevado custo.

Assim, é preciso colocar na mesa o custo real de um acompanhamento clínico além do impacto sobre mortalidade e qualidade de vida que naturalmente penderiam para a intervenção precoce, mas apoiando essa ideia, entender se algum tipo especial de paciente poderia ser considerado como um descompensador mais propenso.

Avaliando essa mesma coorte, foi possível uma estratificação teórica entre pacientes com potencial agudização e aqueles mais crônicos, em uma leitura brevemente semelhante à doença coronariana e quase metade dos casos seriam considerados como possivelmente agudizados da doença valvar, assinalando para um grupo com elevada incidência de desfechos graves e obviamente elevado custo.

Esse não é, nem de longe, o ponto mais importante no debate de quando intervir ou através de qual método, mas seríamos ingênuos se não entendêssemos a importância também dessa característica na organização de uma cadeia de atendimento em saúde eficaz e com elevada performance para sua manutenção.

Esse é mais um ingrediente na complexa avaliação do momento ideal de intervenção, contrastando com os manuscritos do dr. Braunwald da década de 60 do século passado em que era condição premente de intervenção a presença de sintomas, fase com elevada incidência de internação hospitalar e desfechos graves.

Atualmente antecipar desfechos passa a ser tão importante quanto antecipar decisões que reduzam custos tanto de anos de vida e qualidade, quanto de recursos financeiros.

Literatura Sugerida: 

1 – De Backer O, Khokhar A. What Is the Cost of a “Watchful Waiting” Strategy in Asymptomatic Severe Aortic Stenosis? JACC Cardiovasc Interv. 2025 Nov 24;18(22):2774-2776.

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