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Endocardite Infecciosa

Endocardite Infecciosa

Prevalente nos Dialíticos…

A endocardite infecciosa é uma doença que, antes da descoberta dos antibióticos, apresentava mortalidade de 100%. A partir do meio do século passado, vimos que a mortalidade veio caindo com o desenvolvimento de diversas substâncias direcionadas para esse tratamento até encontrarmos um platô.

Nesse momento, mesmo com o avançar da tecnologia, melhora do suporte ao paciente e abordagem mais ampla, não conseguimos enxergar uma redução significativa da morbimortalidade dessa enfermidade.

Uma das razões que explicam isso é o perfil dos pacientes que desenvolvem endocardite. Atualmente são pacientes mais graves, com idade mais avançada e cheios de comorbidades, mantendo assim as taxas de mortalidade elevadas.

Pacientes que experimentam episódios frequentes de bacteremia, que são desnutridos e apresentam relativa imunossupressão são o estereótipo ideal para o desenvolvimento dessa patologia. Quer um paciente exatamente assim? O que realiza hemodiálise.

Buscando entender melhor esse perfil epidemiológico e os desfechos nesse grupo específico de pacientes, diversas publicações apontam para fatores de risco de má evolução.

De forma geral, dentre os pacientes com endocardite, os que dialisam apresentam mortalidade maior do que aqueles que não dialisam. Chama atenção que bacteremia persistente e fenômenos embólicos são mais prevalentes no grupo que evoluiu com óbito, mostrando o papel da infecção no desfecho negativo.

A bactéria mais associada ao desenvolvimento de endocardite nos pacientes que dialisam é o S. aureus, mas há elevada prevalência de Enterococcus, que em geral ocorrem em pacientes mais velhos e cheios de comorbidades. Esses achados corroboram o encontrado na literatura sobre serem pacientes mais graves.

A recorrência do processo infeccioso também ocorre em maior número no grupo dialítico, por razões bem claras como bacteremia contínua e acessos vasculares permanentes, mas esse achado não tem sido correlacionado com a presença de enterococcus como etiologia do processo infeccioso, dado muitas vezes relatado na literatura.

Um achado interessante é que a confecção de uma fístula reduz a incidência de eventos infecciosos, mas não evita, sendo que aproximadamente 30% dos casos que desenvolveram endocardite, provavelmente o fizeram pelas punções repetidas, devendo também ser considerada uma porta de entrada.

Assim, a realização de hemodiálise crônica aumenta muito a ocorrência de endocardite e, nesse grupo de pacientes, os desfechos negativos tendem a ser mais frequentes. Logo, além dos cuidados padrões para limpeza de pele e acesso vascular, a vigilância deve ser ainda maior no desenvolvimento de complicações infecciosas.

Literatura Sugerida:

1 – Pericàs JM, Llopis J, Jiménez-Exposito MJ, et al. Infective Endocarditis in Patients on Chronic Hemodialysis, Journal of the American College of Cardiology, Volume 77, Issue 13, 2021, Pages 1629-1640.

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