Valvopatia Mitral

A definição de valvopatia mitral, a princípio pode parecer óbvia como vimos na definição de valvopatia aórtica exposta na nossa segunda temporada do “Valve Basics”, mas aqui o leitor se engana em achar que o aparato mitral se assemelha em complexidade ao aórtico.

De forma simplista, toda alteração cardíaca que afete direta ou indiretamente a valva mitral pode originar uma valvopatia mitral, mas, diferente das demais valvas cardíacas, cada tipo de alteração leva a uma manifestação distinta e, por conseguinte, um acompanhamento e desfecho diferentes.

Dividimos inicialmente a doença da valva mitral em:

 

Lesão tipo estenose: Formação de gradiente diastólico entre o átrio esquerdo e ventrículo esquerdo por redução da área efetiva de fluxo, ou simplesmente área valvar.

Lesão tipo insuficiência: Formação de regurgitação sistólica do ventrículo esquerdo para o interior do átrio esquerdo, causada pela má coaptação dos folhetos nesse momento do ciclo cardíaco.

Lesões mistas: Presença de ambas as disfunções, estenose e insuficiência, levando a formação de um acometimento complexo, podendo ter predominância de algum tipo ou ser balanceada. Lesões balanceadas são de difícil manejo e classificação, pois os métodos atuais avaliam com limitações os aspectos hemodinâmicos da lesão e a manifestação clínica muitas vezes não é clara.

Agora seguindo a avaliação pormenorizada dessa valvopatia, necessário se faz entender os conceitos de etiologia primária ou secundária. E aqui, diferente da valvopatia aórtica, essa diferenciação é fundamental para entendermos os mecanismos envolvidos, as repercussões esperadas e, principalmente, a forma como a qual devemos conduzir e indicar intervenções ao longo do tempo.

 

Valvopatia mitral primária: Acometimento direto de cúspides e/ou cordoalhas tendíneas. Nessa subdivisão, as principais responsáveis são a doença mixomatosa e o acometimento reumático.

 

Valvopatia mitral secundária: Acometimento de músculo ventricular/papilares e/ou anel valvar mitral, com preservação estrutural das cúspides e cordas tendíneas. Aqui o principal responsável é a miocardiopatia dilatada que traciona as cúspides atrapalhando a adequada mecânica de coaptação.

Como pudemos ver, entender os detalhes específicos da anatomia e fisiopatologia do aparato mitral nos ajuda a classificar e escolher a melhor proposta para o acompanhamento do indivíduo portador de valvopatia mitral.

Literatura sugerida:

1 – Otto CM, Bonow RO. A Valvular Heart Disease – A companion to Braunwald’s Heart Disease. Fourth Edition, 2014.

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