Prolapso de Valva Mitral

Seguindo nossas temporadas no Valve Basics, depois de passarmos pelas Valvopatias Aórtica e Mitral em detalhes, chegou a hora de debatermos sobre a valva esquecida: a Valva Tricúspide.

Antes de mais nada, o aparato tricuspídeo é semelhante ao mitral, tanto anatomicamente, quanto funcionalmente em relação a estruturas próximas, mas o comportamento hemodinâmico do lado direito do coração é completamente diferente do esquerdo.

Aqui, as câmaras lidam bem com volume e muito mal com pressão. Assim, a valva tricúspide fica inserida em um sistema de baixa pressão e alta demanda de volume e tem a sua frente a árvore vascular pulmonar.

Como em todas as outras valvopatias, dividimos as lesões na valva tricúspide de dois tipos:

Lesão tipo insuficiência: Formação de regurgitação sistólica do ventrículo direito para o interior do átrio direito, causada pela má coaptação dos folhetos nesse momento do ciclo cardíaco.

Lesão tipo estenose: Formação de gradiente diastólico entre o átrio direito e ventrículo direito por redução da área efetiva de fluxo, ou simplesmente área valvar.

Lesões mistas: Presença de ambas as disfunções, estenose e insuficiência, levando a formação de um acometimento complexo, podendo ter predominância de algum tipo ou ser balanceada. Lesões balanceadas são de difícil manejo e classificação, pois os métodos atuais avaliam com limitações os aspectos hemodinâmicos da lesão e a manifestação clínica muitas vezes não é clara.

Aqui já devemos apontar que a lesão do tipo insuficiência é muito mais comum e prevalente do que a do tipo estenose e será nela que boa parte da nossa temporada vai se dedicar.

Agora seguindo a avaliação pormenorizada dessa valvopatia, necessário se faz entender os conceitos de etiologia primária ou secundária, da mesma forma que fizemos com a valvopatia mitral. Aqui também essa diferenciação é fundamental para entendermos os mecanismos envolvidos, as repercussões esperadas e, principalmente, a forma como a qual devemos conduzir e indicar intervenções ao longo do tempo.

Valvopatia tricúspide primária: Acometimento direto de cúspides e/ou cordoalhas tendíneas. Nessa subdivisão, as principais responsáveis são a doença reumática, valvopatia traumática e o uso de eletrodos nas cavidades direitas.

Valvopatia tricúspide secundária: Acometimento de músculo ventricular/papilares e/ou anel valvar tricuspíde, com preservação estrutural das cúspides e cordas tendíneas. Aqui o principal responsável é a miocardiopatia á esquerda, levando a aumento das pressões de enchimento de forma retrógrada e levando à dilatação das cavidades direitas. Assim, de forma similar á insuficiência mitral funcional, temos tração dos folhetos pelas cordas de um ventrículo direito dilatado ou pelo anel tricuspídeo alargado.

Como pudemos ver, entender os detalhes específicos da anatomia e fisiopatologia do aparato tricúspide nos ajuda a classificar e escolher a melhor proposta para o acompanhamento do indivíduo portador de valvopatia tricúspide.

Literatura sugerida:

1 – Otto CM, Bonow RO. A Valvular Heart Disease – A companion to Braunwald’s Heart Disease. Fourth Edition, 2014.

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