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Padrão de Fluxo pós-TAVI

Bem mais do que apenas gradiente!

O desenvolvimento de uma estenose aórtica submete o ventrículo esquerdo e todas as estruturas à montante a uma sobrecarga pressórica considerável secundária a criação de um gradiente entre o ventrículo esquerdo e a aorta.

É bem conhecido na literatura que quanto maior esse gradiente, maior é a gravidade da lesão e menor a área valvar, com as considerações necessárias a serem feitas nos estados de estenose aórtica de baixo gradiente.

Dessa forma é natural tentarmos correlacionar a redução do gradiente após a intervenção com o sucesso do procedimento e, de fato, tem alguma lógica essa leitura, mas não devemos nos deter exclusivamente a esse parâmetro para avaliar o após troca valvar.

É interessante ressaltar que as avaliações mais recentes, diante de tecnologias que conseguem avaliar o comportamento do sangue dentro das cavidades pode trazer em breve uma série de outros parâmetros para essa avaliação. É sabido que a formação de um fluxo laminar com redução de estruturas vorticais tendem a reduzir a dissipação de energia e também sua correlação com a viscosidade do sangue podem interferir nessa dinâmica após uma intervenção.

Mesmo após uma possível redução significativa dos gradientes, a presença de um fluxo turbilhonado pode ser responsável ainda por uma sobrecarga energética imposta ao ventrículo esquerdo.

Próteses que tenham um desenho mais adequado a preservação de um padrão de fluxo tanto na via de saída do ventrículo esquerdo como na aorta ascendente podem trazer ao paciente uma restauração mais fisiológica da pós-carga e também do gasto energético miocárdico que em última análise pode impactar na sobrevida de cada indivíduo.

Obviamente esse aspecto ainda está em estágio inicial de investigação, visto que só recentemente estamos acompanhando com estudos de angioressonância o comportamento específico do fluxo em diversas condições da cardiopatia estrutural, mas poderia ser um bom caminho para explicar a razão de determinados pacientes experimentarem uma redução considerável da massa ventricular após uma troca valvar e outros pacientes não apresentarem esse comportamento, embora ainda seja totalmente especulativa essa observação.

Recentemente um novo dispositivo TAVI tenta comprovar essa linha de raciocínio tentando trazer um desenho hemodinâmico mais favorável à preservação do padrão de fluxo linear, mas o estudo que compara esse dispositivo com os demais para entendermos se, de fato, teremos algum impacto clínico está em andamento.

Esse é um aspecto que se comprovado pode trazer benefícios para o miocárdio e também para a durabilidade do dispositivo, visto que fluxos lineares e menos turbilhonados tendem a preservar mais os folhetos impactando na jornada do paciente e no lifetime managment.

É uma linha de raciocínio interessante e temos que aguardar as publicações sobre esse tipo de avaliação, mas dá um rumo interessante para explicar algumas situações que diferem após as intervenções.

Literatura Sugerida: 

1 – Margonato, Davide, and Andrea Scotti. “From gradient reduction to flow restoration: redefining haemodynamic success after TAVI.” European Heart Journal-Valvular and Structural Heart Disease 2.1 (2026): xwag017.

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