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Acoplamento Ventricular Direito

Cuidado com as limitações

Cada vez mais compreendemos os pacientes da cardiopatia estrutural sob o espectro da repercussão hemodinâmica em uma leitura funcional mais importante do que anatômica. Isso pode ser visto inicialmente nas publicações do professor Genereux que traz essa informação em pacientes portadores de estenose aórtica.

Recentemente um ponto de extrema relevância começou a aparecer nas publicações mais recentes em pacientes com diversas valvopatias que é o acoplamento ventrículo-arterial pulmonar.

Esse achado ecocardiográfico tenta trazer um valor de referência para demonstrar pacientes que por sobrecarga hemodinâmica comecem a evoluir com disfunção do lado direito do coração.

Logicamente essa é uma leitura complexa e demanda um entendimento de fisiopatologia aprofundado, visto que temos diversas valvopatias e cada uma delas evoluiu com sobrecargas hemodinâmicas distintas que podem repercutir de forma diferente do lado direito do coração, ou ainda, em estágios diferentes.

Embora tenhamos uma publicação que traz um ponto de corte único para o valor do acoplamento à direita como marcador de prognóstico negativo na cardiopatia estrutural é interessante ressaltar que uma regurgitação mitral tende a levar a repercussão do lado direito em estágios diferentes da estenose aórtica e a explicação para isso não é apenas o tipo da sobrecarga, mas também a topografia em que ocorre a lesão, estando mais ou menos próximo do lado direito.

Nesse contexto, um valor da relação de 0,51 para estenose aórtica talvez signifique um estágio diferente da doença do que me casos de insuficiência mitral.

Fato é que o estudo aprofundado do ventrículo direito serve de um farol que referencia as lesões das demais valvopatias, inclusive a do lado direito com repercussão da tricúspide.

A utilização da pressão de artéria pulmonar é fundamental em casos de regurgitação tricúspide, mesmo que importante, com impacto prognóstico claro, mas existe uma clara limitação metodológica no uso da ecocardiografia nesse contexto e deve ser levada com cautela.

Ainda temos que levar em consideração que o uso do TAPSE também traz limitações à medida, visto ser um único tipo de avaliação da função sistólica ventricular o que pode atrapalhar os achados, propriamente ditos.

Em conclusão, trata-se de uma ferramenta válida e que pode ser trazida para a prática clínica, mas deve ser interpretada a luz de muito conhecimento fisiopatológico e de toda forma, o clínico precisa conhecer suas limitações para extrair o máximo de informação pertinente de cada paciente. Cada paciente é único e diferente, bem como cada resultado do exame é único e diferente.

Literatura Sugerida: 

1 – Sticchi A, Stolz L. The Predictive Value of Right Ventricle to Pulmonary Artery Coupling in Valvular Heart Disease: Three Valves, One Sign. JACC Cardiovasc Interv. 2026 Jan 26;19(2):189-191.

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