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Hemoglobina no TAVI

Olhar atento é necessário…

Pacientes que se submetem a TAVI tem uma série de complicações possíveis e que devem ser continuamente monitoradas pelo cardiologista clínico visando uma recuperação cada vez mais rápida e retorno a liberdade funcional.

O sangramento é um dos pontos que merecem total atenção quando falamos do pós-procedimento de TAVI. Obviamente grandes sangramentos que ocorrem no procedimento são marcadores de pior evolução e podem colocar a vida do paciente em risco.

Em todos os Consórcios, como o mais recente VARC-3, esse tipo de sangramento é assinalado como uma complicação importante. No entanto, existem situações em que o sangramento não é tão facilmente visualizado ou identificado.

Para alertar para isso de forma mais precisa, a presença de queda de hemoglobina acima de 3g/dL aponta para pacientes com prognóstico pior no quesito mortalidade em um ano.

Mesmo que não seja visualizado o sangramento em si, esse achado laboratorial já coloca o indivíduo sob um espectro pior de evolução.

Em idosos, população mais frequentemente envolvida com o TAVI, perdas sanguíneas podem vir de várias situações, mas pensando em pós-TAVI, pacientes do sexo feminino, doentes renais crônicos e uso de dupla antiagregação plaquetária são preditores de queda de hemoglobina e merecem uma vigilância mais estreita.

Como fator protetor, o acesso secundário por via radial se mostrou positivo, evitando quedas de hemoglobina, pois tem menor risco de acidentes vasculares. Essa provavelmente é a mesma explicação para mulheres terem maior risco, pois tem acessos vasculares menores e mais desafiadores, levando a maior prevalência de eventos adversos.

A fisiopatologia da queda não manifesta da hemoglobina é complexa e multifatorial. O sangramento subclínico é provavelmente mais comum do que se reconhece, incluindo pequenos hematomas retroperitoneais, sangramento no local de acesso ou coleções intratorácicas que escapam à detecção clínica. A ativação inflamatória após o implante da válvula, a hemodiluição por fluidos intravenosos ou coletas de sangue repetidas também podem contribuir para esse achado.

Fatores relacionados à prótese, como vazamento paraprotético ou mismatch, podem causar stress nas células sanguíneas e consequente hemólise de baixo grau, reduzindo ainda mais os níveis de hemoglobina.

Esse rastreio detalhado é um baita desafio em populações idosas e com diversas comorbidades associadas.

Mas mesmo sendo complexo, independentemente do mecanismo, uma queda significativa na hemoglobina parece identificar pacientes com menor reserva fisiológica e maior vulnerabilidade a desfechos adversos.

Essa é uma informação importante, mas deve fazer parte da complexa avaliação do paciente em ambiente de Heart Team, multiprofissional, cercado de perspectivas cada um em sua expertise para chegar a uma conclusão mais adequada para a individualização do paciente e seu acompanhamento.

Literatura Sugerida: 

1 – Garot P. Unexplained Hemoglobin Drops After TAVR: A Call for Vigilant Monitoring. JACC Cardiovasc Interv. 2025 Nov 24;18(22):2758-2760.

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