fbpx

Performances Sistólicas

Avaliando o TAVI

A disfunção ventricular em pacientes com estenose aórtica grave permanece determinante prognóstico na intervenção valvar. Embora a fração de ejeção ventricular esquerda (FEVE) continue recomendada como marcador de disfunção sistólica, sua sensibilidade é limitada na presença de hipertrofia concêntrica. Nesse contexto, o strain longitudinal global (LS) destaca-se como ferramenta mais sensível para detectar comprometimento subclínico e orientar o momento ideal de intervenção.

A disfunção do ventrículo direito (VD) também apresenta impacto prognóstico adverso após substituição valvar. Evidências demonstram maior deterioração do strain longitudinal e do acoplamento VD–artéria pulmonar (TAPSE/PSAP) após cirurgia (SAVR) em comparação ao implante transcateter (TAVR), associando-se a maior morbidade, reinternações e mortalidade.

Nos estudos PARTNER 2A e no registro SAPIEN 3, ecocardiogramas seriados mostraram melhora da FEVE em ambos os grupos, porém o LS recuperou-se mais precocemente após TAVR, com benefícios evidentes já aos 30 dias. Após SAVR, essa recuperação foi mais tardia. Em relação ao VD, o TAPSE permaneceu estável após TAVR, enquanto sofreu queda relevante após SAVR, com recuperação parcial em um ano. De forma consistente, o acoplamento VD–AP melhorou progressivamente após TAVR, mas piorou após cirurgia.

A prevalência de LS reduzido diminuiu ao longo de um ano em ambos os grupos, enquanto a proporção de TAPSE <14 mm aumentou de forma marcada após SAVR, permanecendo estável no TAVR. Nas análises ajustadas, disfunção sistólica de VE ou VD na linha de base associou-se de forma independente a maior risco do desfecho primário em cinco anos. O TAPSE reduzido foi o marcador com maior poder prognóstico, e o desacoplamento VD–AP (TAPSE/pressão pulmonar <0,55 mm/mmHg) emergiu como o preditor mais robusto de morte cardíaca, independentemente da estratégia terapêutica.

Apesar de sua relevância, limitações metodológicas incluem ausência de randomização entre TAVR e SAVR, baixa factibilidade do strain do VD e possível viés de seleção. Estudos com metodologia mais sólida são necessários para confirmar essas observações e orientar recomendações formais.

Em síntese, em estenose aórtica grave de risco intermediário, TAVR associa-se a recuperação mais precoce da função ventricular, especialmente da performance longitudinal do VD e do acoplamento VD–artéria pulmonar. Reduções precoces de TAPSE e desacoplamento VD–AP identificam pacientes de maior risco. Em indivíduos com FEVE <50%, a SAVR conferiu pior prognóstico em comparação ao TAVR.

Literatura Sugerida: 

1 – Silva I, Ternacle J, Hahn RT, et la. Left and right ventricular longitudinal systolic function following aortic valve replacement in the PARTNER 2 trial and registry. Eur Heart J Cardiovasc Imaging. 2024 Aug 26;25(9):1276-1286.

Confira o artigo completo

Compartilhe esta postagem

Privacidade e cookies: Este site usa cookies. Ao continuar no site você concorda com o seu uso. Para saber mais, inclusive como controlar cookies, veja aqui: Política de cookie

As configurações de cookies deste site estão definidas para "permitir cookies" para oferecer a melhor experiência de navegação possível. Se você continuar a usar este site sem alterar as configurações de cookies ou clicar em "Aceitar" abaixo, estará concordando com isso.

Fechar