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Eficácia do TRI-SCORE

Hora de recalibrar…

Em avaliações das últimas duas décadas passamos a ver que a insuficiência tricúspide tem sido cada vez mais abordada nos centros especializados em doença valvar, o que contrasta com a antiga ideia de que patologias da valva tricúspide seriam benignas.

Muito dessa tendência se dá pela evolução dos métodos diagnósticos em que passamos a estratificar melhor esses pacientes e enxergar maior repercussão hemodinâmica nas câmaras à direita.

No entanto, a avaliação clínica desses pacientes ainda é um desafio e demanda uma abordagem experiente para identificar alterações e queixas específicas.

A última diretriz europeia defende uma abordagem de todas as valvopatias no espectro do Heart Team com apoio de escores clínicos validados para uma adequada parametrização dos pacientes, cada vez mais complexos.

Na valva tricúspide, o TRI-SCORE foi trazido em diversas publicações, mas ainda não tem uma aplicabilidade ampla na prática diária.

Em recente avaliação o TRI-SCORE foi utilizado nos pacientes que foram encaminhados para abordagem transcateter da valva tricúspide, seja clipagem valvar, seja troca valvar percutânea para avaliar se sua validade é semelhante ao da abordagem cirúrgica convencional.

Embora o escore tenha apresentado uma avaliação geral de risco interessante, ele superestimou bastante a mortalidade hospitalar em praticamente 10 vezes às abordagens percutâneas.

Esses achados apontam para uma tendência de evolução diferente da abordagem percutânea para a cirúrgica convencional em casos de insuficiência tricúspide, mas para entendermos melhor esse achado é necessário buscarmos mais dados para separarmos melhor esses casos que invariavelmente são complexos.

Outro ponto que podemos trazer é que o escore clínico parece ter alguma validade na abordagem cirúrgica, mas perde o propósito na abordagem transcateter reduzindo ainda mais a sua aplicação na prática clínica diária. Aqui o problema pode ser traduzido em dificuldades na tomada de decisão em ambiente de Heart Team em que a proposta cirúrgica se distancia demais da percutânea.

Outro ponto que atrapalha a adequada avaliação desse escore é a falta da padronização da solicitação de exames e relatos em prontuário de itens presentes na pontuação como bilirrubina e dados clínicos de sintomatologia claros.

Assim, novamente a impressão que temos é que esse escore, embora validado na população cirúrgica ainda não é uma rotina na prática clínica e com a expansão das abordagens percutâneas, parece que vai ficar cada vez mais esquecido, como essa valvopatia um dia foi classificada…

Literatura Sugerida: 

1 – Potratz M, Narang A, Gerçek M, et al. Performance of the TRI-SCORE in a Multicenter Cohort Undergoing Transcatheter Tricuspid Valve Repair and Replacement. JACC Cardiovasc Interv. 2025 Sep 8;18(17):2192-2194.

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