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Idade para Angioplastar

Isso conta no TAVI?

Um ponto que tem ganhado relevância nas discussões sobre desfechos em pacientes com estenose aórtica que são submetidos a TAVI é a evolução da doença coronariana, seu tratamento e o momento em que isso acontece.

Além das discussões já tradicionais sobre o melhor momento de se angioplastar uma lesão coronariana em um paciente na fila do TAVI, a pergunta poderia ser em qual idade ou tipo de paciente esse tratamento parece trazer mais benefícios para o indivíduo.

Separando os pacientes submetidos a TAVI em três grupos com relação à idade entre os mais jovens, um grupo intermediário e os mais idosos, o benefício maior foi visto no grupo de indivíduos da faixa etária do meio.

É interessante ver que em idosos mais avançados não tenhamos benefício, provavelmente por questões óbvias de já termos uma elevada mortalidade por interferência direta da idade nesse grupo, mas observar a razão dos mais novos não terem esse benefício merece um aprofundamento.

Um dos pontos relevantes aqui é que o paciente mais jovem que foi encaminhado para TAVI deve ter sido avaliado em Heart Team e por alguma razão, teve a escolha do procedimento percutâneo como preferência frente ao convencional. Isso pode ter se dado pela elevada frequência de comorbidades e pelo elevado risco cirúrgico que poderia ter contaminado os desfechos desses casos.

Seguindo também uma linha especulativa, podemos imaginar o oposto, que pacientes mais jovens apresentassem menor complexidade e gravidade das lesões coronarianas não se beneficiando realmente da intervenção dessa doença dentro do contexto o que também nos traria a um resultado similar.

Independente do caminho, esses achados são hipóteses, visto termos essas informações provenientes de banco de dados retrospectivos.

Outro ponto que pode interferir nessas conclusões é o tempo de acompanhamento, visto que um ano de acompanhamento para quem tem 70 anos é diferente de quem tem 85 anos, principalmente objetivando analisar desfechos.

Talvez o ponto mais relevante desse tipo de avaliação é entender que por mais que a idade cronológica esteja presente em todas a avaliações de risco e nos ajudem a entender a gravidade dos pacientes, ela sozinha é muito frágil para termos uma avaliação interessante do caso. Detalhes anatômicos, clínico e laboratoriais compõem a real história do paciente frente a uma lesão coronariana e suas chances de desfechos duros.

A decisão de quando intervir e em quais lesões coronarianas intervir ainda é tema fundamental de debate em ambiente de Heart Team. Temos algumas evidências, mas devemos sempre direcionar todos os esforços para a melhor escolha para o paciente.

Literatura Sugerida: 

1 – Nygaard, K. E., Özbek, B. T., Sabbah, M., et al. (2026). Assessing the impact of age on outcomes following percutaneous coronary intervention in patients undergoing transcatheter aortic valve replacement—a substudy in NOTION-3. European Heart Journal-Valvular and Structural Heart Disease, 2(2), xwag025.

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