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AVC pós-TAVI

A culpa nem sempre é da prótese

A maturidade do procedimento TAVI é uma realidade no dia a dia do cardiologista clínico e saber lidar com possíveis intercorrências passou a ser uma habilidade que precisa ser dominada com precisão.

Em cirurgia cardíaca, a possibilidade de AVC sempre é trazida à mesa durante a programação do procedimento e também é parte da vigilância ativa do pós-procedimento, aguardando o despertar do paciente e sua eventual mobilização dos membros.

No TAVI, embora seja uma casuística menor do que na cirurgia cardíaca convencional, essa é uma preocupação vigente e tentar entender exatamente de onde vem sua ocorrência ainda é algo incerto.

Dispositivos que visam proteger possíveis embolizações, embora pareçam razoavelmente racionais ainda não se mostraram benéfico à luz da estatística atual.

Recentemente, a presença de ateroma e placas na aorta tem sido identificados como possíveis causadores de eventos cerebrovasculares significativos. Embora a forma como a qual essa lesão na aorta seja inconsistente na literatura, é notório que a presença dessas lesões e sua gravidade estão relacionados com evento, tanto no periprocedimento como no acompanhamento tardio, embora possa ser na verdade uma forma de entendermos a lesão endotelial como um todo, praticamente podendo ser um marcador nessa interpretação.

Como ainda é uma interpretação inconclusiva, até o tipo de prótese implantado ao realizar o TAVI parece ter resultados diferentes, mas parece que não segue muito uma linha de raciocínio fisiopatológica plausível até o momento. Mas falando em resultados, próteses autoexpansíveis parecem ter maior risco de eventos na presença de lesões na artéria Aorta. Quando a lesão é importante, essa predisposição pelo tipo de prótese desaparece.

Fato é que a manipulação da aorta, principalmente no arco aórtico pode ser o responsável pela ocorrência de eventos cerebrovasculares e o intervencionista deve ser extremamente cuidadoso nesse manejo do dispositivo ao transitar dentro dos vasos.

Diante do que existe na literatura atualmente, entender que as lesões de aorta são um risco a esse tipo de complicação é uma realidade, mas entender também que pacientes com lesões extensas podem ter lesões em outros sítios como nos vasos intracranianos é intuitivo e deve guiar a conversa com paciente e familiares no sentido dos riscos de evolução com AVC tanto após o procedimento, o que vincularia como uma complicação, quanto ao longo da jornada do paciente que realizando um TAVI, precisa ter suas faculdades preservadas ao longo da sua vida e um AVC pode jogar fora o tratamento da valva aórtica.

Literatura Sugerida: 

1 – Joshi, Vijay A., and Neel M. Butala. “Refining stroke risk stratification after TAVR: the contribution of aortic atheroma.” European Heart Journal-Valvular and Structural Heart Disease2.2 (2026): xwag015.

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