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Cardiopatia Reumática na Europa

Um outro olhar…

Estamos habituados a tratar o paciente portador de cardiopatia reumática como um portador de cardiopatia estrutural bem mais complexa do que os demais casos. Obviamente isso acontece muito pelas características da coorte específica de pacientes portadores de sequelas reumáticas e suas condições socioeconômicas.

Outro ponto que não pode ser ignorado para entendermos a evolução desses pacientes é a elevada prevalência, quase total de doença multivalvar que leva uma combinação de sobrecargas hemodinâmicas às cavidades cardíacas e diversas consequências por esse motivo.

Embora essa seja uma realidade em países em desenvolvimento, diversas nações consideradas desenvolvidas têm lidado com essa situação mais frequentemente nos últimos anos por razões diversas, incluindo a migração.

Nos países baixos uma avaliação de banco de dados trouxe alguns insights interessantes sobre a cardiopatia reumática dentro desse contexto de intervenção em uma estrutura de saúde considerada de alto desenvolvimento.

Embora encontremos uma população considerada mais jovem do que aquela envolvida em intervenções por doença degenerativa, a média de idade nesses centros é ainda superior ao visto nos países em desenvolvimento.

Outro dado que destoa do visto na literatura é que um pouco mais da metade dos casos evoluiu com intervenção isolada na valva mitral, não demandando abordagem de outra valvopatia, situação comum em centros mais pobres.

No entanto foi visto que abordagem isolada de uma determinada valvopatia por causa reumática trouxe uma mortalidade inferior ao visto quando a mesma valva era abordada, mas por outra etiologia, o que nos traz uma confirmação de que as comorbidades tornam o paciente com etiologia degenerativa mais grave, mas uma possível abordagem multivalvar traz o procedimento com maior risco em casos de etiologia reumática.

Um ponto de crítica considerável é a heterogeneidade dos pacientes que compõem essa coorte, com a inclusão de níveis sociais distintos e graus diferentes de valvopatias o que pode confundir algumas avaliações superficiais, mas é possível também extrair uma série de informações sobre essa etiologia em específico.

Uma abordagem com qualidade e suporte adequado pode fazer um paciente portador de cardiopatia reumática, muitas vezes sinalizado como de péssimo prognóstico ter uma evolução tão favorável quanto os casos de etiologia degenerativa atendida em grandes centros de elevada expertise.

Literatura Sugerida: 

1 – de Wilde, L. L., el Mathari, S., Blokhuis, D. W., Roefs, M. M., de Lind van Wijngaarden, R. A., & Chamuleau, S. A. (2026). Surgical care for rheumatic heart disease patients: insights from the Netherlands Heart Registration. European Heart Journal-Valvular and Structural Heart Disease, 2(2), xwag027.

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