Insuficiência Mitral na Europa

Ascenção de IM funcional

Aproveitando que estamos na semana do Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia em Paris você já se perguntou se a etiologia da insuficiência mitral por lá é a mesma da por aqui?

Aposto que sempre ouviu que é bem diferente, mas você sabe a de lá?!

Ano passado foi publicado um grande trabalho com mais de 60 mil indivíduos em que foram avaliadas a presença e a quantificação da insuficiência mitral, bem como a etiologia. Desses, 24,4% dos indivíduos apresentaram algum grau de IM (20% apresentavam sintomas de IC), mas desses, 78% era discreta.

Quase 1/3 dos pacientes apresentavam valvopatia concomitante de grau pelo menos moderado, sendo o acometimento tricuspídeo o mais comum. O trabalho não relata, mas pode-se tratar de pacientes com FA permanente que desenvolvem dilatação de anel tanto mitral, quanto tricuspídeo.

Como há relevância prognóstica apenas no grupo de grau moderado a importante, foi feita uma subanálise desses quanto a etiologia, sendo 55% de etiologia primária (principalmente degenerativa e reumática em apenas 10%), 30% de etiologia secundária (isquêmica em 51%) e próximo de 15% de etiologia mista.

Distribuição de acordo com a Classificação de Carpentier
Tipo I 26,7%
Tipo II 19,9%
Tipo IIIa 22,4%
Tipo IIIb 31,1%

Algo interessante a se ressaltar é que, dos pacientes com etiologia primária, 70% apresentavam indicação classe I para intervenção, enquanto apenas 13% dos portadores de IM secundária apresentavam o mesmo nível de indicação pelos consensos atuais. Seguindo no debate, segundo os critérios alemães para a anatomia adequada para implante de MitraClip, dos portadores de IM funcional, 70% tinham anatomia favorável, o que pode mudar o panorama de indicação nos próximos anos.

Em países europeus, como aqui no Brasil, estamos vendo um crescimento substancial de etiologia secundária para insuficiência mitral. Mesmo nos casos de etiologia mista, foi relatado que o componente funcional teve maior preponderância e também foi visto que esses casos são mais sintomáticos, reduzindo também a qualidade de vida.

Estamos diante de diversos estudos sobre as peculiaridades da insuficiência mitral funcional e estamos vendo um crescimento importante no número de casos mundo a fora.

Literatura recomendada
Monteagudo Ruiz JM, Galderisi M, Buonauro A, et al. Overview of mitral regurgitation in Europe: results from the European Registry of mitral regurgitation (EuMiClip). Eur Heart J Cardiovasc Imaging. 2018 May 1;19(5):503-507.


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