fbpx

Estenose Aórtica Subvalvar

Uma coorte diferente

Não é comum abordarmos aqui na plataforma assuntos específicos de cardiopatia congênita, mesmo que eles sejam considerados a rigor, uma cardiopatia estrutural, pois boa parte desse contexto se refere à pediatria.

No entanto, temos acompanhado uma diversidade de pacientes que chegam a idades mais avançadas tendo recebido um acompanhamento adequado de suas cardiopatias, estando agora no foco do cardiologista clínico que necessita lidar com casos complexos e que trazem em sua bagagem uma cardiopatia congênita.

A estenose aórtica subvalvar é uma dessa condições, pois, via de regra, leva a uma sobrecarga de pressão muito semelhante a estenose aórtica valvar, mas tem detalhes que demandam certa atenção por se tratar de um paciente diferente dos demais.

Outra consequência frequente nesses pacientes é a formação de uma regurgitação aórtica valvar secundária à lesão e jato, que ao acelerar ainda na via de saída do ventrículo esquerdo, leva a uma lesão direta dos folhetos valvares.

É interessante ressaltar que em uma coorte holandesa, que acompanha esse tipo de paciente ao longo dos anos, mostra que, em idade adulta, essa lesão tende a permanecer estável, tendo ela sido operada ou não anteriormente.

Dentro desse contexto fisiopatológico, é bem provável então que o acompanhamento deva ser feito com exames diagnósticos diversos, visto que o foco não é a progressão anatômica ou funcional da lesão, mas possíveis repercussões hemodinâmicas desses casos.

Por questões relacionadas à gravidade inicial da doença, pacientes que já foram operados anteriormente apresentam uma pequena redução da expectativa de vida quando comparada aos demais pacientes, tendo o risco de necessidade de nova intervenção por regurgitação aórtica em torno de 7% ao longo de 15 anos.

Necessidade de marcapasso e descompensação de quadros de insuficiência cardíaca também impactam negativamente essa curva.

Assim as repercussões futuras dependem muito mais de um remodelamento elétrico ou mesmo o desgaste dos folhetos do que propriamente a progressão da lesão em via de saída. Uma vez encerrado o crescimento somático do indivíduo, a evolução da doença e seus desfechos dependem basicamente da gravidade da lesão inicial e não de outras variáveis.

É interessante então ressaltar que, independente da avaliação rasa de apenas gradientes e evolução da obstrução subvalvar, o foco em casos de cardiopatia congênita adulta é mais amplo como na cardiopatia estrutural de forma geral, que deve ter um olhar sobre questões de ritmo cardíaco, surgimento e evolução de padrões de fibrose, análise detalhada de função sistólica, dentre outras variáveis que ganham cada vez mais importância no dia a dia do cardiologista clínico.

Na cardiopatia estrutural como um todo, estabilidade pode parecer, mas nunca é sinônimo de simplicidade no acompanhamento.

 

Literatura Sugerida: 

1 – Sabatino J, De Rosa S, Torella D. Subvalvular aortic stenosis in adulthood: stable, manageable, but never simple. Eur Heart J. 2026 Aug 3;47(29):3935-3937.

Compartilhe esta postagem

Privacidade e cookies: Este site usa cookies. Ao continuar no site você concorda com o seu uso. Para saber mais, inclusive como controlar cookies, veja aqui: Política de cookie

As configurações de cookies deste site estão definidas para "permitir cookies" para oferecer a melhor experiência de navegação possível. Se você continuar a usar este site sem alterar as configurações de cookies ou clicar em "Aceitar" abaixo, estará concordando com isso.

Fechar