Heart Team 2.0

Uma reafirmação

A abordagem multidisciplinar de patologias complexas não é novidade nem exclusiva da cardiologia. Pacientes oncológicos ou em centros de terapia intensiva já se beneficiam dessa abordagem e talvez a primeira vez que isso foi aventado na cardiologia, foi na coronariopatia na época do estudo SINTAX.

De 2002 em diante, com o advento do TAVI, a formação do Heart Team era imprescindível na condução de pacientes portadores de estenose aórtica e elevados riscos cirúrgicos. Recentemente com as publicações do uso de TAVI em pacientes de baixo risco, algumas organizações médicas questionaram a real necessidade de um Heart Team visto que o papel do cirurgião ficaria reduzido já que o risco cirúrgico não era mais decisivo.

No entanto esse já seria um posicionamento questionável, pois nem todo paciente é candidato a TAVI já que essa avaliação não deveria se basear apenas no risco cirúrgico. Casos de pacientes com idade reduzida em que o implante de uma bioprótese é questionável ou naqueles onde existem contraindicações anatômicas, como anel aórtico muito grande ainda carecem de abordagem multidisciplinar para a melhor tomada de decisão.

Para corroborar e nos lançar em um novo tempo, as alternativas de intervenção nas valvas mitral e tricúspide vêm trazer a necessidade de uma nova discussão dentro do Heart Team, bem como impulsionar o desenvolvimento de novas técnicas diagnósticas e propostas terapêuticas.

Assim surge a proposta de um Heart Team 2.0 com ampliação na abrangência de patologias estruturais cardíacas, com melhor entendimento da dinâmica de funcionamento do aparato mitral e tricúspide. Agora, o manejo concomitante de disfunção valvar e insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida é uma realidade e trazer para dentro do Heart Team o cardiologista clínico com também expertise em disfunção do VE vai ser uma tendência.

Todos os membros do time, bem como o paciente, devem ter voz ativa na tomada de decisão e isso, inquestionavelmente traz melhores resultados para o indivíduo a ser tratado. O fato desse assunto ter tido muito destaque nas publicações do “Eurointervention 2019” e do “PCR London Valves 2019” reafirma a demanda por esse tipo de abordagem mundo a fora, bem como sinaliza para novas demandas que estão surgindo no campo do tratamento percutâneo da doença mitral e tricúspide. Chegará o momento de discutirmos a necessidade do Heart Team 3.0? Ainda não sabemos, mas jamais cabe pensar em classificar o atual desenho como desnecessário.

Literatura recomendada

1 – Reardon MJ, Leon MB, Popma JJ, Mack MJ. Heart Team 2.0. EuroIntervention 2019;15:825-827.


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