HP no MitraClip

O que o COAPT nos diz?

A avaliação da hipertensão arterial pulmonar nos pacientes portadores de valvopatias sempre foi fundamental para traçarmos uma conduta mais adequada. Bem verdade que era muito mais demonizada do que é atualmente e em muitos centros formadores, valores de pressão do tronco da artéria pulmonar acima de 70mmHg eram contraindicações formais a abordagem cirúrgica.

Depois de muita pesquisa nesse tipo de paciente, começou a entender melhor a relação de hipertensão arterial e desfechos. Assim, com a incorporação do uso do MitraClip no tratamento de alguns pacientes portadores de insuficiência mitral funcional, entender o comportamento da HP nessa coorte é fundamental para podermos estratificar ainda melhor nossos pacientes selecionados a essa terapêutica.

Como era de se esperar, pacientes incluídos no COAPT trial que tinham valores elevados de HP apresentavam, em dois anos, mais desfechos duros como morte ou agudização da IC.

O tratamento com MitraClip tinha efeito na redução dos valores basais de pressão da artéria pulmonar e isso tinha impacto direto nas taxas de mortalidade e reinternação.

Interessante aqui ressaltar que o impacto positivo do implante do MitraClip foi notado em todas as estratificações por níveis de pressão de artéria pulmonar, mesmo nos valores mais elevados.

Os valores de HP que eram considerados como preditores de eventos puderam ser analisados de duas formas, de forma contínua e de forma dicotômica com o corte sendo 50mmHg, como visto em algumas publicações sobre o tema em valvopatias. Como esse valor dicotômico é extremamente questionado na literatura por ser arbitrário, focamos no valor linear.

A cada aumento de 10mmHg, há elevação dos desfechos duros citados em 18%.

É importante ressaltar que a redução nos valores basais da HP teve impacto positivo tanto no grupo em que se usou o MitraClip quanto no de tratamento clínico isolado. Assim, mesmo sendo multifatorial, a elevação da pressão arterial pulmonar é, definitivamente, associada a prognóstico reservado, bem como o inverso é verdadeiro.

Os valores de referência obtidos, foram estimados através da ecocardiografia. Como trata-se de um procedimento invasivo, talvez uma correlação com os valores medidos pelo método hemodinâmico possa ajudar a entender o comportamento intra-procedimento da HP e se isso se correlaciona com a evolução ecocardiográfica e desfechos.

Devemos lembrar que valores de HP acima de 70mmHg e que não respondiam a um teste vasodilatador eram excluídos do COAPT, portanto, não se aplicando essa correlação a esse grupo de pacientes.

Literatura Sugerida:

1 – Ben-Yehuda O, Shahim B, Chen S, et al. Pulmonary Hypertension in Transcatheter Mitral Valve Repair for Secondary Mitral Regurgitation: The COAPT Trial. J Am Coll Cardiol. 2020 Dec 1;76(22):2595-2606.


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