Injúria Renal no MitraClip

Marcador ou Preditor?

A doença renal crônica é uma comorbidades muito prevalente nos pacientes portadores de doença valvar, principalmente da insuficiência mitral. Além disso, é conhecida a relação de lesão renal aguda e desfechos negativos nas intervenções valvares, sejam elas cirúrgicas ou transcateter.

Muitas das vezes relacionada à circulação extra-corpórea, nos procedimentos convencionais e ao uso de contrastes iodados nos procedimentos hemodinâmicos, a lesão renal aguda trazia até 8 vezes a mais de chance de complicações no pós-operatório.

Em um contexto de insuficiência cardíaca, a síndrome cardio-renal pode também ser um gatilho para disfunções renais mais graves nesse período de injúria necessária.

Para entender melhor essas relações, na tentativa de isolar o fator agressão externa como o uso do contraste iodado, avaliar o comportamento e o impacto de uma lesão renal aguda no tratamento com MitraClip de uma insuficiência mitral pode nos trazer informações valiosas, visto que o procedimento ocorre sem o uso do contraste.

Nesses pacientes, a lesão renal aguda ocorre em até 15% dos casos, sendo mais relacionados aos pacientes com anemia, status hemodinâmico pior na programação do procedimento, muitas vezes de urgência e resultado sub-ótimo da intervenção.

Aparentemente a função ventricular isoladamente não parece estar correlacionada à lesão renal aguda, mas sim a descompensação de um quadro de insuficiência cardíaca.

Uma das possibilidades levantas é que como o implante de MitraClip ainda é um procedimento complexo e demanda anestesias mais profundas e tempo maior de procedimento, isso poderia ter sido uma das razões para uma perfusão renal inadequada por um tempo alargado.

A grande maioria que apresentou lesão aguda apresentou evolução para deterioração da função renal ao longo dos anos. Isso foi pior ainda naqueles com correção inadequada da regurgitação. Nesse ponto, a lesão renal aguda pode ser um marcador de severidade da doença, ocorrendo mais nos pacientes com disfunção renal de base, ou como preditor de desfechos negativos. Para definir isso claramente, só com estudos direcionados para isso.

Outro ponto controverso nessas análises é a não padronização dos tratamentos clínicos, visto que determinadas drogas podem ter efeitos na função renal, bem como na proteção ao insulto agudo.

Literatura Sugerida:

1 – Armijo G, Estevez-Loureiro R, Carrasco-Chinchilla F, et al. Acute Kidney Injury After Percutaneous Edge-to-Edge Mitral Repair. J Am Coll Cardiol. 2020 Nov 24;76(21):2463-2473.

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