Experiência com MitraClip

O operador conta!

Recentemente temos abordado uma série de desfechos dos tratamentos percutâneos para disfunção valvar mitral, sendo o principal deles o MitraClip. De forma similar aos procedimentos cirúrgicos convencionais, o tratamento transcateter também demanda expertise elevada tanto do operador, quanto do serviço que se propõem a realizar um complexo procedimento como esse.

Partindo de um Heart Team qualificado e com experiência em doença estrutural do coração, passando por demanda de pacientes com essa patologia até ao número de intervenções realizadas no laboratório de cateterismo, são inúmeras as variáveis que culminam com um desfecho positivo para o paciente.

Atualmente a técnica de implante de MitraClip admite como sucesso que o paciente saia do procedimento com uma regurgitação menor ou igual a 2+, o que seria aqui no Brasil o equivalente a moderado. No entanto, viu-se que operadores com volume maior apresentavam resultados quase que invariavelmente menores ou iguais a 1+, o que seria considerado na literatura internacional como resultado ótimo.

A partir disso, uma análise dos resultados dos registros de MitraClip nos mostram que indivíduos que saem do procedimento com menores graus de regurgitação, tem sobrevida melhor e também sintomatologia reduzida. Logo, volume e experiência do serviço e operador, respectivamente, são fundamentais para o adequado resultado.

Se a análise se expandir para outras variáveis como tempo de procedimento, sangramento e utilização de dispositivos, a correlação segue a mesma com melhores resultados nos centros mais experientes, sugerindo, inclusive, que casos mais complexos fossem encaminhados para esses centros “super-especializados”.

Desfechos graves como morte ou AVC não são diferentes entre os centros de alta e baixa demanda, sugerindo que o procedimento é seguro, mas a eficácia do desfecho sofre influência direta da experiência do operador intervencionista.

Em coortes americanas, sugerem-se o número de referência de 50 procedimentos, para o operador ser considerado experiente. Se observarmos nossa realidade, no momento, é difícil achar um serviço que tenha essa casuística de implante de MitraClip, o que coloca o Brasil no início da curva de aprendizado.

Literatura Sugerida:

1 – Chhatriwalla AK, Vemulapalli S, Szerlip M, et al. Operator Experience and Outcomes of Transcatheter Mitral Valve Repair in the United States. J Am Coll Cardiol. 2019 Dec 17;74(24):2955-2965.

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