Miocárdio na Estenose Aórtica

Entendendo o interstício…

Pacientes com estenose aórtica desenvolvem uma hipertrofia ventricular compensatória às elevadas pressões de enchimento frente a uma pós-carga aumentada. Em fases iniciais, a elevada tensão na parede gera hipertrofia que com o passar do tempo pode desenvolver fibrose e posterior degeneração da função contrátil. Nessa curva da história natural da doença, podemos encontrar cicatrizes de fibrose bem delimitadas ou quadros de fibrose intersticial difusa. Muito ainda se discute sobre a reversibilidade desses quadros…

Ambos os padrões de fibrose geram prejuízos. Talvez as cicatrizes tenham uma propensão maior para originar arritmias complexas no ventrículo esquerdo, enquanto o padrão intersticial difuso evolua para disfunção sistólica do ventrículo esquerdo com dilatação progressiva da cavidade.

Quadros de fibrose intersticial difusa estão associados a piora na sobrevida, inclusive naqueles tratados cirurgicamente ou por via transcateter. De forma geral, a cada 1% de fibrose do VE, encontramos 10% de aumento no risco de desfechos negativos. Também encontramos associação com o chamado ventrículo suicida, ou seja, naqueles com classes funcionais mais avançadas, escores de risco cirúrgicos maiores, massa ventricular aumentada, diâmetros cavitários do átrio esquerdo elevados e que diante do tratamento adequado, evoluem para queda na fração de ejeção.

Diante disso, selecionar casos em que já se nota a presença de fibrose intersticial difusa em fase inicial pode ser interessante para preservar a sobrevida dos pacientes com estenose aórtica. O desenvolvimento de melhores ferramentas, além do realce tardio na ressonância pode trazer uma melhor estratificação de desfechos nos pacientes portadores de estenose aórtica. Estudos atuais com o mapa T1 tem trazido uma série de informações a respeito da fibrose intersticial nesse grupo de pacientes e com o avançar da tecnologia, esperamos estratificar ainda mais nossos pacientes.

Literatura recomendada:

1 – Everett RJ, Treibel TA, Fukui M, et al. Extracellular Myocardial Volume in Patients With Aortic Stenosis. J Am Coll Cardiol. 2020 Jan 28;75(3):304-316.

 

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