Ritmo sinusal melhora IM na FA paroxística

A cardioversão é benéfica

A valva mitral, como abordamos algumas vezes aqui na plataforma, é uma estrutura complexa, composta não só pelos folhetos, mas também por todo um aparato valvar que compreende o anel, os músculos papilares, a cordoalha tendínea, etc. Qualquer um desses componentes que entre em disfunção podem levar a incompetência valvar em graus variados.

Depois que discutimos a classificação de Carpentier para insuficiência mitral em uma postagem recente, chamamos a atenção em outro artigo para um tipo de IM funcional, aquela secundária a fibrilação atrial permanente e consequentemente a alargamento do anel mitral. Quanto mais tempo o indivíduo ficasse em ritmo de fibrilação atrial, maiores as chances dele evoluir com graus avançados de regurgitação mitral, independente do ventrículo esquerdo estar ou não dilatado.

Um questionamento comum é se esse processo pode se reverter em caso de retorno ao ritmo sinusal e alguns estudos atuais se esforçam para tentar entender melhor esse comportamento da dinâmica sistólica do anel mitral.

Fatores que são relacionados a ocorrência de IM por FA são idade, hipertensão arterial sistêmica, presença de FA permanente (não paroxística) e dilatação de anel mitral. Àqueles que são submetidos a ablação de FA ou outra forma de cardioversão, mas que ficam em ritmo sinusal experimentam uma redução do volume atrial esquerdo e do anel mitral e menos de 30% apresentam IM significativa após 1 ano, quando a etiologia é exclusivamente IM por FA. Já os demais que não se mantem em ritmo sinusal não apresentam melhora no mesmo período.

A fibrilação atrial por si só é uma patologia que traz diversos riscos como os frequentes eventos tromboembólicos e, associado a regurgitação mitral importante, pode trazer sérias consequências no acompanhamento a longo prazo. Vale lembrar que o anel tricúspide é ainda mais sensível a fibrilação atrial e muito provavelmente teremos o paciente com as duas valvopatias concomitantes.

Mesmo uma série de documentos atualmente mostrando que não parece haver benefício na manutenção do ritmo do paciente, sob diversos espectros da doença cardíaca, do ponto de vista valvar, o controle do paciente em ritmo sinusal parece ser interessante, pois evitaria a progressão de dilatações do anel mitral e também do anel tricúspide, que poderiam levar as respectivas disfunções valvares.

Literatura recomendada

1 – Gertz ZM, Raina A, Saghy L, et al. Evidence of atrial functional mitral regurgitation due to atrial fibrillation: reversal with arrhythmia control. J Am Coll Cardiol. 2011 Sep 27;58(14):1474-81.


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