Strain na Estenose Aórtica

Novo método, velho conhecido…

O estudo da estenose aórtica se aprofundou muito depois da descoberta do TAVI como terapia segura e eficaz. Tanto é que o mundo das valvopatias teve um incremento de publicações importantes nos últimos anos e a busca por uma melhor estratificação de risco fez diversos métodos de imagem avançarem.

Nesse contexto o uso do strain, ou deformação miocárdica agregou muita informação sobre o prognóstico dos pacientes portadores de cardiopatia estrutural. Trata-se de uma leitura mais sensível da perda de performance contrátil do VE.

De forma simplificada, o strain analisa separadamente os movimentos que o ventrículo executa para compor uma sístole. No total temos 4 tipos de movimento, o longitudinal, circunferencial, radial e a torção. O mais estudado, pela praticidade de ser obtida é o longitudinal.

Embora exista uma diferença de cálculo entre os fabricantes de tecnologia para a ecocardiografia, uma metanálise nos trouxe que valores abaixo de 14,7%, ou de forma mais prática, 15% estariam associados a elevação da mortalidade, mesmo na presença de uma fração de ejeção preservada.

Se buscarmos na memória, pacientes com queda da fração de ejeção e estenose aórtica importante tem indicação clara de intervenção e buscar um dado que tenha o mesmo valor prognóstico antes de uma possível sequela de queda da fração de ejeção seria muito interessante.

Aparentemente, usando o corte modular de 15% e com os softwares mais difundidos na ecocardiografia, conseguimos uma boa correlação interobservador e um excelente valor prognóstico na medida, podendo ser incorporado à prática diária nos laboratórios de ecocardiografia.

Alguns pontos devem ser levantados:

Mesmo sendo útil, é necessário treinamento adequado para que as medidas sejam fidedignas e tenham valor. Nesse ponto, ter demanda adequada mantém a prática em dia para podermos confiar nos resultados.

Ainda precisamos de estudar mais profundamente o método correlacionando o mesmo com análises tissulares para melhor compreender suas variações. O mesmo pode se dizer de investir na pesquisa do strain no ecocardiograma de esforço físico.

De toda forma, vale à pena usar esse método no dia a dia do paciente portador de valvopatia, tendo o cuidado de entender que se trata de método novo e ainda em fase de ajustes.

Literatura Sugerida:

1 – Thellier N, Altes A, Appert L, Binda C, Leman B, Marsou W, Debry N, Joly C, Ennezat PV, Tribouilloy C, Maréchaux S. Prognostic Importance of Left Ventricular Global Longitudinal Strain in Patients with Severe Aortic Stenosis and Preserved Ejection Fraction. J Am Soc Echocardiogr. 2020 Dec;33(12):1454-1464.


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