TAVR em Bicúspide

Pacientes de baixo risco

Publicações prévias sobre TAVR sempre comparavam o uso do tratamento percutâneo com cirurgia convencional, mas excluíam portadores de valva aórtica bicúspide. Mais recentemente, trabalhos com indivíduos de alto e moderado risco demonstraram que estenose aórtica em valvas tri ou bicúspides tinham evolução semelhante.

O FDA liberou o uso de TAVR para pacientes de baixo risco após as grandes publicações do Evolut low risk e Partner 3, mas esses trabalhos não incluíram portadores de valva aórtica bicúspide.

Um pequeno trabalho com pacientes de baixo risco cirúrgico comparou o TAVR em pacientes portadores de valva aórtica bicúspide com tricúspide e encontrou resultados muito semelhantes entre as coortes, o que sugere que a evolução seja comparável aos pacientes de riscos mais elevados envolvidos em outras publicações.

Mesmo se tratando de pacientes mais jovens e com anatomia deformada do complexo valvar aórtico, pudemos observar resultados interessantes. Mortalidade e AVC incapacitante não ocorreram na evolução de curto prazo, corroborando os achados de eventos muito baixos em pacientes submetidos a TAVR.

A ocorrência de Leak de moderada intensidade foi discretamente superior nos pacientes com valva aórtica bicúspide, mas esse ponto ainda é visto com certo otimismo, pois a tecnologia envolvida nas novas próteses reduz consideravelmente a ocorrência de regurgitação para-protética e a utilização de outros devices não foram contemplados nessa comparação.

Outro aspecto que preocupava os intervencionistas era a ocorrência de trombose nos folhetos, visto que alguns pacientes poderiam sair com a prótese não adequadamente expandida. Numericamente a ocorrência foi semelhante entre os grupos e não se mostrou como preditor de eventos embólicos clinicamente significativos.

Talvez o dado mais preocupante desse estudo tenha sido a necessidade de implante de marcapasso. Mesmo utilizando próteses balão expansíveis, a ocorrência foi o dobro do esperado para essa população (13% vs. 6%), mas ainda menor do que quando se utiliza uma prótese auto-expansível. A razão para isso pode estar na dilatação após o implante para tentar reduzir o Leak mais frequente nessa população. Isso pode causar danos no sistema de condução gerando esse resultado.

Pacientes portadores de valva aórtica bicúspide são mais jovens e tem prevalência de aortopatia aumentada. Tudo o que discutimos sobre TAVR envolve, até o presente momento, indivíduos com idade superior a 70 anos, não devendo extrapolar esses achados para os mais jovens, visto não conhecermos adequadamente a evolução dessas próteses nessa população. Aortopatia associada também costuma ser um impeditivo de abordagem percutânea, deixando esses casos para a abordagem convencional que soluciona ambas as patologias.

Literatura Sugerida:

  1. Waksman R, Craig PE, Torguson R, et al. Transcatheter Aortic Valve Replacement in Low-Risk Patients With Symptomatic Severe Bicuspid Aortic Valve Stenosis. JACC Cardiovasc Interv. 2020;13(9):1019-1027.


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