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Eco Intracardíaco

Realidade ou Utopia?

Um dos pontos que mais tem impacto no resultado de abordagens trancateter da valva tricúspide é o acesso a imagens ecocardiográficas satisfatórias durante o procedimento.

Isso é tão importante que um dos escores atualmente utilizados para predizer resultados em casos de clipagem da valva tricúspide, o GLIDE escore utiliza essa variável como critério de pontuação e ainda mais, o coloca como o mais forte preditor de desfecho de insucesso de clipagem e regurgitação residual.

Isso é uma verdade, pois o lado direito do coração não tem acesso similar o lado esquerdo pela via transesofágica que é a habitualmente realizada nesses procedimentos e o número de cateteres e guias que podem estar dentro das cavidades direitas pode tornar ainda mais desafiadora a manipulação.

Para tentar superar essa limitação existe o ecocardiograma intracardíaco, ou ICE que busca imagens de ultrassonografia dentro da cavidade com uma sonda que fica encostada no anel tricúspide.

Um ponto de atenção que necessita ser trazido aqui é a dificuldade de implementar esse método em nosso país.

O ecocardiograma intracardíacos é extremamente caro quando comparado aos demais métodos pela necessidade atual de utilização unitária da sonda e posterior descarte. Também demanda uma curva de aprendizado de profissionais especializados não comum no Brasil o que limita ainda mais sua utilização.

Embora seja claro que casos na Europa que utilizaram o ecocardiograma intracardíacos obtiveram ótimas janelas de manipulação e resultados de implante de próteses transcateter melhores, apresentaram também maior tempo envolvido no procedimento.

A razão para esse tempo maior de procedimento está no fato de ter sido utilizado o ICE como foram de demanda em casos de tentativa pela ecocardiografia transesofágica desafiadora.

Comparando procedimentos inicialmente usando métodos distintos, após a curva inicial de aprendizado, o tempo e os resultados tendem a serem similares.

Observado os desfechos duros e o sucesso do procedimento, a realização de ambos os métodos de imagem tem resultados similares em centros que apresentavam treinamento adequado e disponibilidade dos equipamentos em suas versões mais recentes.

Em casos com outras próteses cardíacas ou mesmo eletrodos de marca-passo talvez a utilização do ICE seja o único caminho viável, pagando-se o preço de elevar o custo do procedimento e de se obter um acesso venoso calibroso a mais com seus riscos inerentes.

É bem provável que em algum momento do futuro, tenhamos mais essa ferramenta de uso cotidiano nos centros especializados ao tratamento de cardiopatia estruturais. Hoje é uma tecnologia que existe e está claramente em aprimoramento, mas sua disponibilidade nacional é extremamente restrita e deve ser usada em casos selecionados pela elevada complexidade anatômica de visualização.

 

Literatura Sugerida: 

1 – Georgi K Fram, John Dawdy, Leo Kar Lok Lai, et al. Intracardiac echocardiography utilization in early commercial transcatheter tricuspid valve replacement, European Heart Journal – Valvular and Structural Heart Disease, Volume 2, Issue 1, January 2026.

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