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Fibrose Valvar Aórtica

Sinal ou componente patológico?

Pacientes com estenose aórtica importante têm sido estudados profundamente desde o advento do TAVI e principalmente após a difusão do método. Costumamos falar que a entrada do TAVI na Cardiopatia Estrutural, impulsionou a desenvolvimento tecnológico e o conhecimento fisiopatológico de toda uma cadeia de áreas de atuação conjunta. Ecocardiografia, métodos de imagem multimodalidade e até mesmo análises genéticas desses indivíduos passaram a ser levados em consideração.

Em casos considerados de baixo gradiente, a discussão torna-se ainda mais complexa quando pensamos nos métodos diagnósticos, mas já está consolidado a avaliação do cálcio valvar aórtico através da tomografia apontando para casos mais avançados de acordo com a quantidade elevada de cálcio na valva aórtica.

É bem verdade que alguns casos apresentam estenose aórtica importante, mas com uma quantidade de cálcio relativamente baixa e um componente fibrótico mais exuberante.

Casos como a doença reumática saltam nossa atenção, mas dentro da etiologia degenerativa, alguns casos também se diferenciam nessa proporção cálcio e fibrose.

É interessante notar que o sexo feminino tem uma maior prevalência de componente fibrótico mais acentuado do que o masculino e algumas características costumam vir juntos desse perfil.

Ecocardiograficamente, o perfil hemodinâmico da valva aórtica não se diferencia, mas dados relacionados ao miocárdio chamam atenção. Há uma maior prevalência de disfunção diastólica avançada, átrios com maiores volumes indexados e uma espessura da parede ventricular elevada.

A avaliação do miocárdio em si traz também um strain miocárdico reduzido e o cálculo do volume extracelular que pode estar correlacionado com fibrose intersticial também é elevado nesses casos em que a valva aórtica se mostra mais fibrosada do que calcificada.

Dessa forma, parece haver uma forte correlação do componente fibrótico em diversos níveis cardíacos, trazendo novamente uma leitura atual e interessante de analisar a valvopatia não apenas isoladamente, mas sim em combinação com miocardiopatias paralelas e não apenas consequentes a determinadas sobrecargas hemodinâmicas.

Pacientes com estenose aórtica importante e pouco cálcio parecem ter uma predisposição a desenvolver um quadro de remodelamento ventricular mais avançado, bem como apresentar repercussão hemodinâmica com elevação das pressões de enchimento mais elevadas sinalizando para quadros mais sintomáticos e que podem estar, dentro do espectro do envolvimento miocárdio em um estágio mais avançado, inclusive com padrão de fibrose mais presente.

Cada vez mais a avaliação multimodalidade tem trazido insights para a cardiopatia estrutural e as correlações podem ajudar a explicar boa parte das fisiopatologias em um futuro próximo.

 

Literatura Sugerida: 

1 – Margonato D, Koike H, Fukui M, et al. Severe Aortic Stenosis With High Noncalcific Aortic Valve Volume: A Novel Marker of Myocardial Fibrosis. JACC Cardiovasc Imaging. 2025 Aug;18(8):928-930. 

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