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TAVI sem contraste

Uma alternativa viável

Com a expansão do procedimento TAVI, passamos a entender bem mais os possíveis riscos de complicações envolvidos no procedimento. É importante ressaltar que, mesmo sendo uma abordagem transcateter, esse procedimento é considerado uma cirurgia cardíaca e todos os riscos inerentes devem estar na mesa na hora da tomada de decisão.

Baseado nesse contexto, a disfunção renal é algo a ser considerado quando se pensa em realização do implante transcateter, pois o uso de contraste iodado é uma necessidade ao procedimento.

Assim, pacientes que apresentem taxa de filtração glomerular muito baixo eram considerados de elevado risco para agudização e necessidade de suporte dialítico, sendo um grande debate na hora da intervenção.

O uso do contraste ocorre tanto na fase do screening e preparo do paciente, quanto durante o procedimento e tentar reduzir essa exposição pode ser uma alternativa viável nessa jornada.

Associando métodos de imagem nesse processo é possível reduzir e até mesmo evitar a exposição ao contraste, mas são necessários compreendermos as limitações e o que esperar de cada etapa.

A tomografia é o padrão ouro para se obter as imagens, tanto do aparato valvar aórtico, quanto das vias de acesso, mas a ressonancia pode trazer uma comparação similar em alguns pontos.

Esse é um método caro e relativamente indisponível, mas pode ser usado nessa avaliação, embora tenha uma definição pior para a avaliação do cálcio valvar.

Os diâmetros e medidas são avaliados de forma similar à tomografia com contraste, mas demanda o uso de gadolíneo que pode também trazer complicações a pacientes com clearence abaixo de 30mL/min.

A avaliação do aparato valvar também pode ser conseguido através da ecocardiografia transesofágica tridimensional que obtem cortes e imagens de elevada qualidade, mas é um procedimento mais demorado e tem os riscos da sondagem esofágica que não podem ser completamente ignorados.

A ecocardiografia não é um bom método para avaliar vias de acesso. Nesse caso, se o uso do contraste iodado for realmente contraindicado, pode-se tentar utilizar a angiografia com uso de CO2 que consegue imagens interessantes para se avaliar diâmetros e anatomia vascular, mas também é um método invasivo com baixa disponibilidade nacional.

Os resultados de desfechos entre os métodos são comparáveis, obviamente em centros de elevada expertise e treinamento adequado para os métodos, mas como podemos ver, costumam elevar o custo do procedimento e também o tempo de avaliação, dados que em gestão em saúde são importantes para a implementação das técnicas.

Implantar um TAVI sem contraste é possível e relativamente exequível, mas é um procedimento de exceção para ser realizado em casos específicos em que o contraste realmente atrele um risco desproporcional.

 

Literatura Sugerida: 

1 – Besir B, Rajendran J, Ramu SK, et al. Outcomes in Patients Undergoing TAVR Planning with Contrast-Enhanced CT vs Noncontrast CT and CMR. JACC Cardiovasc Imaging. 2025 Apr;18(4):514-516.

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