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Dislipidemia na Estenose Aórtica

Uma velha conhecida

A calcificação valvar é o ponto central da etiopatogenia da estenose aórtica mais prevalente nos países desenvolvidos e esse processo tem vários níveis evolutivos, começando com um quadro de esclerose valvar, podendo chegar inclusive em avançados graus de estenose aórtica, com repercussão hemodinâmica considerável.

Diversos fatores de risco são conhecidos e que tem impacto direto nessa evolução e no grau de deposição de cálcio, como hipertensão arterial, diabetes, tabagismo e elevados níveis séricos de colesterol LDL, mas pouco se sabe se isso poderia ocorrer como um acelerador de um processo já iniciado ou se seria responsável por dar o start na lesão.

Em dados populacionais, valores elevados de IMC e lipoproteína (a) estiveram correlacionados com doença cardiovascular, de forma geral, elevando seu risco em 3,5 vezes. Nesse ponto é bom deixar claro que doença cardiovascular é um amplo espectro de doenças sendo a doença coronariana um big player nessa balança, já que os mecanismos relacionados a lipoproteínas e essa elevada incidência de doenças cardiovasculares estão intimamente ligados ao processo aterosclerótico, influenciando não só na doença coronariana obstrutiva, mas também na degeneração calcifica da valva aórtica.

Em fases iniciais, o endotélio que recobre a valva é lesado e um processo inflamatório localizado leva a deposição dessas partículas de lipoproteínas. Esse processo inflamatório leva a diferenciação de células intersticiais em osteoblastos que por sua vez levam a calcificação, demonstrando que o processo aterosclerótico pode ocorrer em topografias distintas, como coronárias, valvas e endotélio vascular periférico.

Inatividade física associados a dietas pouco saudáveis também figuram entre fatores de risco que podem estar associados ao IMC elevado e que podem ser responsáveis pela progressão dessas patologias cardiovasculares.

Outro aspecto interessante é tentar enxergar o paciente como um todo, buscando uma predição de eventos em 10 anos de acordo com fatores como sexo, idade, IMC e concentração sérica de lipoproteínas. A análise combinada de todos esses fatores, nos aponta para o pior perfil de risco que elevaria a possibilidade de desfechos cardiovasculares negativos em até 14% nesses 10 anos.

A associação entre lipoproteína (a) elevada e estenose aórtica não é afetado pelo IMC e vice-versa, indicando que o aumento dos riscos em indivíduos com lipoproteína (a) elevada e IMC elevado são aditivos e não sinérgicos.

A compreensão dessas correlações e a identificação de novos fatores de risco associados a doenças cardiovasculares e especialmente aos processos degenerativos que impactam as valvas cardíacas é fundamental não só para propor terapias profiláticas, mas também abrem novas janelas de possibilidades terapêuticas, agindo diretamente nos níveis de IMC e lipoproteínas, embora, até o momento, não exista terapia comprovada que levasse a retardo do processo ou até mesmo regressão da aterosclerose e calcificação.

Já foram testados fármacos que atuassem diretamente na redução dos níveis séricos de lipídios, como as estatinas e o inibidor da PCSK9 e não foram encontrados resultados favoráveis. Da mesma forma, outros fármacos ligados ao emagrecimento também não demonstraram benefícios.

Literatura Sugerida: 

1 – Zheng KH, Tsimikas S, Pawade T, et al. Lipoprotein(a) and Oxidized Phospholipids Promote Valve Calcification in Patients With Aortic Stenosis. J Am Coll Cardiol. 2019 May 7;73(17):2150-2162.

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