Degeneração de biopróteses – Parte II

Tem como diagnosticar precocemente uma disfunção protética?

Falamos recentemente sobre a nova definição de disfunção valvar, mas o questionamento que surgiu foi, como detectar isso precocemente sem que o quadro evolua para BVF (deterioração com repercussão clínica)?

A bioprótese vem apresentando cada vez mais utilização mundial e isso se da principalmente por se tratar o valvopata um paciente idoso, muitas vezes tratado por via percutânea. Diante disso e do conhecimento de que a bioprótese tem vida útil limitada, o rastreio ecocardiográfico é o mais utilizado, com avaliações seriadas de gradientes, área valvar e aspecto dos folhetos.

Nesse contexto, muitos dos pacientes não conseguem obter um diagnóstico adequado em fases iniciais e já podem se apresentar em situações extremas de degeneração quando manifestarem repercussões clínicas.

A fisiopatologia da degeneração parece estar intimamente relacionada a calcificação dos folhetos e foi a partir disso que surgiu uma nova ferramenta na predição de degeneração de bioprótese. O PET-18F consegue apontar no corpo, áreas que estejam desenvolvendo microcalcificações, mesmo antes delas serem notadas pela tomografia computadorizada convencional.

Um trabalho britânico, publicado recentemente no JACC mostrou que todos os pacientes que apresentaram degeneração da bioprótese, apresentavam elevação nos níveis de 18F nos folhetos relacionados. Também conseguiu demonstrar que os índices detectados pelo PET-18F foram preditores mais fortes para degeneração em 2 anos do que dados clínicos, como idade, e dados de outros exames de imagem como ecocardiografia e tomografia computadorizada.

A principal crítica a esse método ocorre pelo fato de que o PET-18F muitas vezes sinaliza um paciente que não apresentam qualquer manifestação clínica e, portanto, não indicaria intervenção necessária. No entanto, o exame pode apontar para àqueles que estejam sob maior risco de evoluir de forma negativa ao longo dos anos.

O exame também se mostrou eficaz em apontar microtromboses nos folhetos, visto que há relação entre trombose e calcificação local. Isso seria interessante, pois poderia indicar anticoagulação para esse grupo de pacientes e, portanto, ter impacto no prognóstico e longevidade dessa prótese.

Parece que a indicação desse exame passa a ser relevante após o quinto ano do implante da prótese, período em que pode se iniciar o processo de degeneração. Além disso, pode ser útil para diferenciar pacientes com mismatch daqueles com degeneração acelerada.

Literatura recomendada
Cartlidge TRG, Doris MK, Sellers SL, et al. Detection and Prediction of Bioprosthetic Aortic Valve Degeneration. J Am Coll Cardiol. 2019 Mar 19;73(10):1107-1119.


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