Endocardite na TAVI

TAVI tem mais Endocardite do que Prótese Cirúrgica?

Na população geral, endocardite infecciosa é uma doença com baixa prevalência, mas em pacientes portadores de valvopatias, esse valor aumenta bastante. Pacientes com próteses valvares cardíacas apresentam uma prevalência 100 vezes maior de ocorrência de endocardite e com o uso disseminado do TAVI em pacientes de baixo risco, surgem alguns questionamentos. Seria o TAVI mais propenso a endocardite infecciosa do que a prótese implantada por cirurgia convencional?

Mesmo sendo o procedimento menos invasivo, algumas peculiaridades levantam a possibilidade do TAVI ser mais propenso a acometimento infeccioso:

  • Quantidade maior de material protético exposto a corrente sanguínea, como hastes metálicas; 
  • Maior prevalência de Leak paraprotético, gerando fluxo turbilhonado;
  • Preservação da valva nativa doente, com exposição de tecido predisposto a infecção;
  • Maior taxa de necessidade de implante de marcapasso.

É sabido na literatura que temos maior incidência de endocardite infecciosa no primeiro ano após o procedimento cirúrgico, tanto transcutâneo, quanto convencional e isso se deve basicamente pela assistência médica nesse período diante de um paciente mais debilitado, quanto pela fase sem endotelização do material protético implantado.

O diagnóstico muitas vezes é mais desafiador no grupo de pacientes TAVI, devido às características anatômicas da prótese, mas uma abordagem multi-imagem com ecocardiografia e tomografia acaba por facilitar o diagnóstico apontando a presença de uma vegetação. Próteses auto-expansíveis apresentam maior prevalência de acometimento infeccioso, provavelmente pela exposição maior de hastes metálicas.

Quando o questionamento é sobre a bactéria relacionada, durante o primeiro ano, pacientes portadores de prótese biológica convencional tem maior acometimento pelos Staphylococus, já os pacientes TAVI, pelos Enterococcus (por serem mais idosos). Poucos trabalhos tratam de acompanhamento a longo prazo para estabelecermos um perfil epidemiológico mais adequado. Interessante ressaltar que para pacientes admitidos para troca valvar convencional existe um protocolo bem estabelecido de rastreio com swab para colonização por Staphylococus aureus, o que não consta em nenhum material de orientação para tratamento por via percutânea.

Em um trabalho que analisou a prevalência de endocardite infecciosa no banco de dados nacional dinamarquês, foi constatado que pacientes do sexo masculino e portadores de doença renal crônica apresentavam maior incidência de acometimento infeccioso, mas o TAVI, mesmo que apresente discretamente maior ocorrência de eventos, foi estatisticamente similar a pacientes submetidos a troca valvar cirúrgica convencional. Ao longo de 5 anos, o risco de acometimento dos pacientes TAVI foi de 5,8% enquanto o da cirurgia convencional de 5,1% (p = 0,40).

Como era de se esperar, em caso de endocardite infecciosa, os pacientes TAVI apresentam maior mortalidade intra-hospitalar por serem mais idosos e apresentarem diversas comorbidades associadas.

Literatura recomendada

1 – Butt JH, Ihlemann N, De Backer O, et al. Long-Term Risk of Infective Endocarditis After Transcatheter Aortic Valve Replacement. J Am Coll Cardiol. 2019 Apr 9;73(13):1646-1655.

2 – Thyregod HG, Ihlemann N, Jørgensen TH, et al. Five-year clinical and echocardiographic outcomes from the Nordic Aortic Valve Intervention (NOTION) randomized clinical trial in Lower Surgical Risk Patients. Circulation 2019 Feb 1 [E-pub ahead of print].


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