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TAVI Quebrando Paradigmas

Uma nova era…

Os avanços na medicina dos últimos 50 anos são impressionantes, principalmente quando observamos os últimos 200, afinal, a curva exponencial difere de forma gritante. Na cardiologia, temos algo tão disruptivo que pudesse jogar essa curva tecnológica ainda mais para cima? 

Sem sombra de dúvidas. No anos 50, o advento da cirurgia cardíaca mudou esse rumo e pudemos ver um avanço tecnológico impressionante, mas o que mais chamou atenção foi o impacto na curva de sobrevida de pacientes acometidos por diversas afecções, coronariopatias, doenças valvares principalmente de etiologia reumática e até algumas cardiopatias congênitas. 

Muitos anos depois, muita pesquisa foi realizada e o desenvolvimento das angioplastias percutâneas, através de cateteres, trazia uma forma menos invasiva de tratar a doença coronariana aterosclerótica e acompanhamos nos anos 90 uma revolução na cardiologia! Agora pacientes de altíssimo risco cirúrgico podiam se beneficiar de revascularizações pontuais e os métodos foram confrontados. Cirurgia e Angioplastia se mostravam benéficas em diversos grupos e ainda tínhamos a discussão aprofundada do tratamento clínico nesse contexto. 

Muito se aprendeu dessa fase da cardiologia, até mesmo o conceito de Heart Team foi criado e aplicado, embora não estivesse no seu momento auge. 

No início dos anos 2000, uma nova tecnologia vinha para novamente revolucionar a cardiologia! A possibilidade de intervenção transcateter em doenças valvares parecia utópica, mas o advento do TAVI mudou essa concepção. Uma porta tecnológica se abria e uma infinidade de possibilidades ganhavam vida. 

O impacto na curva de sobrevida de pacientes de alto risco cirúrgico foi tão grande como foi o impacto da descoberta do antibiótico. Antes eram pacientes que receberiam invariavelmente tratamento clínico paliativo com desfecho negativo em meses ou poucos anos. Com o uso do TAVI, esses pacientes passaram a ter expectativa de vida de 5-10 anos. Expectativa e com qualidade de vida. 

Uma verdadeira guinada na história da cardiologia, inclusive colocando no centro da discussão pacientes antes praticamente desconhecidos do dia a dia do cardiologista clínico. Um novo modelo de atendimento ao paciente, desenhado na atualização do Heart Team, vários colegas cardiologistas, discutindo, cada um em sua área de atuação específica, visando trazer benefícios para o paciente. 

Uma nova área de atuação ganha força, o do cardiologista clínico com expertise em cardiopatia estrutural, impulsionado pelo novo modelo de Heart Team, pelos novos métodos diagnósticos que agora abordam detalhes que antes ou eram desconhecidos ou não tinham uma aplicabilidade bem definida e também pelos novos métodos intervencionistas, seja pelo consagrado TAVI, a troca transcateter da valva aórtica, seja pelos novos dispositivos dedicados a outras doenças valvares, como clipes, anéis de bandagem ou mesmo próteses transcateter que estão em desenvolvimento. 

Não é incomum vermos grandes ícones da cardiologia mundial, como o professor Eugene Braunwald de Harvard nos falar em uma era na Cardiologia pré e pós TAVI, pois o foco mudou, a técnica mudou e o melhor de tudo, o jogo mudou para os pacientes! 

Literatura Sugerida: 

1 – Mack MJ, Leon MB, Thourani VH, et al; PARTNER 3 Investigators. Transcatheter Aortic-Valve Replacement in Low-Risk Patients at Five Years. N Engl J Med. 2023 Oct 24.

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