A TC nas abordagens da mitral e tricúspide

Planejamento pré-operatório

Desde quando a tomografia exerce papel fundamental na programação terapêutica de pacientes candidatos a TAVR, surgiu o interesse em avaliar minuciosamente as demais valvas cardíacas, visto que insuficiência mitral é muito prevalente nos cardiopatas.

Mais de 10% dos indivíduos acima de 75 anos apresentam insuficiência mitral moderada a importante, com ou sem envolvimento da tricúspide. Como essa coorte costuma ter riscos cirúrgicos elevados, uma abordagem menos invasiva poderia ser o ideal, com dispositivos já em uso como Mitraclip, cardioband, dentre outros.

Conhecer a anatomia desafiadora desses aparatos valvares é fundamental e a tomografia acrescenta definição espacial à ecocardiografia, trazendo uma análise multimodalidade capaz de decidir qual o melhor dispositivo e mais, evitar possíveis complicações sérias.

Pelo fato de diversos dispositivos diferentes estarem sendo usados, a compilação de apenas um protocolo capaz de dar as informações necessárias às abordagens terapêuticas é complexa e desafiadora.

Protocolos de valva mitral devem priorizar o uso adequado de contraste do lado esquerdo do coração, as vias de acesso (principalmente em acessos arteriais) e do trajeto da artéria circunflexa, intimamente relacionada ao anel mitral. Já para as abordagens da tricúspide, o contraste do lado direito é prioritário, assim como a análise adequada da anatomia da coronária direita.

Alguns detalhes servem para todas as abordagens, como adequada sincronização ao eletrocardiograma e frequência cardíaca baixa, hidratação adequada para evitar a nefropatia por contraste e pausa inspiratória na aquisição da imagem para evitar a formação de artefatos que dificultem a análise anatômica.

A obtenção de um escore de cálcio está mais sedimentada para abordagens da valva aórtica, mas recentemente com o planejamento do Valve-in-MAC, essa informação pode ser interessante na programação de abordagem mitral.

De forma direta, entender as características do paciente, bem como a patologia a ser estudada é fundamental para estabelecer protocolos mais precisos e que minimizem o risco de efeitos colaterais da exposição ao contraste e radiação. No entanto, devemos entender que o estabelecido hoje pode mudar rapidamente com o desenvolvimento de novas técnicas que necessitem de informações complementares ao obtido tradicionalmente.

Literatura Sugerida:

  1. Pulerwitz TC, Khalique OK, Leb J, et al. Optimizing Cardiac CT Protocols for Comprehensive Acquisition Prior to Percutaneous MV and TV Repair/Replacement. JACC Cardiovasc Imaging. 2020;13(3):836-850.


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