Doença Valvar Aguda

Manejo urgente – Valvopatia Aórtica

Se você é um leitor frequente de nossa plataforma, está acostumado a acompanhar diversos aspectos sobre valvopatias crônicas. A ocorrência de uma valvopatia aguda é, muitas vezes, reservada para os capítulos de cardiointensivismo, diante da evolução quase que inexorável para choque cardiogênico.

Assim, a avaliação inicial deve se concentrar em identificar sinais de choque cardiogênico, avaliar e assegurar via aérea e instalar, quando indicado, drogas vasoativas no objetivo de tentar compensar transitoriamente o paciente.

Durante essa série de medidas que devem ser tomadas em caráter urgente, deve-se buscar por refinar nossos achados e buscar a valvopatia em questão, bem como sua etiologia.

Vamos chamar atenção para alguns aspectos interessantes de cada valvopatia e hoje falaremos das lesões na topografia aórtica.

Insuficiência Aórtica

De forma geral, evolui para rápida deterioração clínica e está associada a trauma, processo infeccioso complicado ou dissecção de aorta. Em uma fase aguda, o ventrículo não tem tempo de acomodar todo o volume regurgitante dilatando-se. 

Assim, as pressões de enchimento se elevam de forma súbita e isso faz a pressão diastólica do VE ficar maior do que a do átrio esquerdo, causando o fechamento precoce durante a diástole. Assim, ocorre repercussão nas pressões do átrio esquerdo, evoluindo para edema agudo de pulmão.

Diferente do estado crônico, na insuficiência aórtica aguda os sinais periféricos estão ausentes e não encontramos divergência pressórica. É comum, inclusive encontrarmos a pressão de pulso reduzida, devido ao choque cardiogênico.

O sopro diastólico também pode ser difícil de se auscultar, pois com a pressão final do VE elevada, a regurgitação leva a rápida equalização de pressão interrompendo a ausculta precocemente.

Nesse ponto a ecoscopia beira-leito é a peça fundamental no diagnóstico, diante da suspeita clínica.

O tratamento é iminentemente cirúrgico que deve suceder uma breve estabilização clínica em ambiente de UTI. Deve-se buscar aliviar a pós-carga e reduzir a volemia nesses casos.

Estenose Aórtica

A estenose aórtica tem evolução indolente e, de certa forma, previsível. É muito raro uma progressão rápida que não desse tempo do miocárdio se adaptar minimamente a essa elevação da pós-carga.

O que podemos salientar aqui são os casos com estenose valvar crítica e extremamente sintomáticos. Esses são indivíduos de manejo muito complicado e, mesmo em unidade de terapia intensiva, não costumam tolerar minimamente uso de drogas como diuréticos, betabloqueadores e nem vasodilatadores.

Nesse ponto a única alternativa viável é a dilatação da valva aórtica com balão como ponte até a estabilização de instituição de terapia definitiva (TAVI ou SAVR)

Literatura Sugerida: Maheshwari V, Barr B, Srivastava M. Acute Valvular Heart Disease. Cardiol Clin. 2018 Feb;36(1):115-127.

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