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Endocardite Infecciosa

Epidemiologia – Parte II

Vamos abordar a partir de hoje alguns grupos em específico para tornar a discussão mais detalhada…

Em crianças, a maior ocorrência se dá nos portadores de cardiopatias congênitas e naqueles que necessitaram de acessos vasculares e a bactéria envolvida se correlaciona com a microbiota típica do hospital referência.

Nos adultos, excluindo-se os casos de uso de drogas endovenosas e pacientes institucionalizados, o prolapso de valva mitral aparentemente é o maior responsável pela casuística da endocardite. Nesse contexto, podemos encontrar uma incidência de até 50 casos/100.000 pacientes/ano. Curioso apontar que, atualmente, esse é um tipo de paciente que não está contemplado na profilaxia pré-operatória para endocardite, mas esse tópico será extensamente abordado nas postagens futuras.

Não devemos nos esquecer das cardiopatias congênitas que ainda apresentam importante fator de risco nos adultos, visto muitos casos sobreviverem vários anos. Aqui podemos mencionar a persistência do canal arterial, CIV e valva aórtica bivalvar.

Vale mencionar que a infecção por HIV por si só não é um fator de risco para desenvolvimento de endocardite. A diferença se dá na etiologia do acometimento que, além das bactérias típicas, também encontramos aquelas responsáveis por infecções oportunistas nessa coorte de pacientes, como bartonela, S. pneumoniae, etc.

Nos casos de usuários de drogas endovenosas, o risco de desenvolvimento de endocardite é dez vezes maior do que a população que apresenta valvopatia ou mesmo prótese valvar. A valva tricúspide é a mais acometida (40-70%), seguida da mitral (20-30%) e aórtica (10-20%). Até 15% apresentam acometimento em diversas valvas cardíacas, sendo um paciente extremamente grave.

A fisiopatologia provavelmente ocorre por contaminações repetidas nos acessos venosos e a infusão de material contaminado com partículas que causam lacerações no endocárdio. Assim encontramos o ambiente perfeito para a ocorrência e endocardite, uma valva lesada mecanicamente com uma bacteremia intensa por microorganismo altamente virulento.

Além do clássico S. aureus, outros microorganismos estão fortemente relacionados ao desenvolvimento de endocardite em usuários de drogas, como Pseudomonas, gram-negativos e fungos.

A manifestação clínica pode ser um grande desafio, pois na grande maioria das vezes o acometimento é do lado direito do coração e em pacientes relativamente imunossuprimidos. Queixas de dor pleurítica, tosse e hemoptoicos podem ser os preponderantes fazendo a suspeita demorar para ocorrer.

Literatura Sugerida:
1 – Bignoto, Tiago. Valve Basics – Valvopatia do Básico ao Avançado. 1ª ed. São Paulo: The Valve Club, 2021.

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