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Endocardite Infecciosa

Epidemiologia – Parte III

Hoje vamos trazer os aspectos finais da Epidemiologia da Endocardite Infecciosa…

Tema da nossa última temporada do Valve Basics, as próteses cardíacas são grandes fatores de risco para o desenvolvimento de endocardite infecciosa por serem compostas de materiais estranhos ao organismo e por gerarem, invariavelmente fluxo turbilhonado, capaz de microlesões no endotélio que circunda o dispositivo.

A maior ocorrência de endocardite de prótese ocorre nos primeiros seis meses de cirurgia, muito provavelmente por contaminação ainda do período de internação. Essa taxa cai lentamente até 1 ano, se aproximando do restante da população que apresente riscos, como os valvopatas de valvas nativas.

Nas classificações mais antigas, esses indivíduos eram separados em dois grupos, os de apresentação precoce e tardia. A diferença era o tempo de pós-operatório, indivíduos com até 1 ano de intervenção eram considerados como endocardite precoce e apresentavam microbiota relacionada a possível infecção hospitalar. Já aqueles com mais de 1 ano, apresentavam epidemiologia semelhante a população geral, extra-hospitalar. 

No entanto, as publicações mais recentes têm alterado essa data para 2 meses. Raramente indivíduos que tenham sofrido alguma contaminação intra-hospitalar desenvolvem quadros de endocardite após os 60 dias de intervenção, exceto aqueles casos institucionalizados ou que tenham múltiplas internações nesse período.

Vale ressaltar que não há diferença na ocorrência de quadros infecciosos entre as próteses biológicas e mecânicas, sendo o risco semelhante entre elas.

Pacientes com próteses e que desenvolvem endocardite costuma apresentar doença invasiva extensa, com envolvimento de anel valvar e até mesmo deiscência protética. Próteses aórticas evoluem com abscessos anulares e bloqueio átrio ventricular total. Nesse contexto, a mortalidade está relacionada ao status do paciente, complicações graves como fenômenos embólicos e bacteremia persistente na presença de abscessos cardíacos.

Pacientes institucionalizados são aqueles que se valem frequentemente de visitas a serviços de saúde, como os indivíduos hospitalizados, residentes de asilos e os que necessitam de hemodiálise crônica. Nesse grupo de pacientes, além da presença de inúmeras comorbidades, a colonização por bactérias diferentes da comunidade e, portanto, de maior virulência e resistência bacteriana, aliada a diversas situações de invasão vascular propiciam o cenário perfeito para esse acometimento.

Literatura Sugerida:
1 – Bignoto, Tiago. Valve Basics – Valvopatia do Básico ao Avançado. 1ª ed. São Paulo: The Valve Club, 2021.

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