Estenose Aórtica e Obesidade

Existe correlação?

A estenose aórtica senil tem diversos fatores de risco bem estabelecidos na literatura e em diversos casos, dividem o mesmo espectro que a doença arterial coronariana. Dessa forma, dislipidemia, doença renal crônica e diabetes costumam figurar na lista de comorbidades que o idoso portador de estenose aórtica traz consigo.

Além dessas situações já estudadas vastamente, levantou-se o questionamento se a obesidade, de forma isolada também seria um fator de risco extra ao desenvolvimento da calcificação valvar e uma coorte gigante com mais de 70 mil pacientes foi estratificada segundo esses fatores de risco descritos aqui. Ficou claramente evidente que valores de IMC acima de 30 e aumento da cintura abdominal se correlacionavam positivamente com o desenvolvimento da estenose valvar aórtica.

Razões que foram levantadas para explicar essa correlação basearam-se na presença de hipertensão arterial nos pacientes portadores de obesidade com progressiva degeneração dos folhetos valvares nativos por lesão endotelial direta. O metabolismo do indivíduo obeso também apresenta aumento de lipoproteínas aterogênicas que se depositam, tanto na parede das artérias, como nos folhetos, causando inflamação local e posterior calcificação intersticial.

Em uma análise genética, viu-se que havia correlação mendeliana de obesidade com estenose aórtica, mas os mesmos genes envolvidos estariam também relacionados com síndrome metabólica, diabetes e predisposição a dependência ao tabaco o que atrapalha de alguma forma o estabelecimento dessa correlação isolada com estenose aórtica.

De forma direta e conclusiva, a obesidade marcada pelo IMC e pela cintura abdominal aumentada se correlacionou com estenose aórtica calcífica. O tratamento da obesidade não deve interferir nas indicações de tratamento da valva aórtica, mas podemos ter espaço para futuras pesquisas de tratamentos clínicos que interfiram na calcificação valvar.

Foi também relatada uma certa dificuldade de avaliar sintomas de dispneia nesse grupo de pacientes o que acabava por atrapalhar a indicação de intervenção, pois boa parte da sintomatologia era relacionada à obesidade e falta de preparo físico do que à valvopatia propriamente dita.

Literatura recomendada
1 – Kaltoft M, Langsted A, Nordestgaard BG. Obesity as a Causal Risk Factor for Aortic Valve Stenosis. J Am Coll Cardiol. 2020 Jan 21;75(2):163-176.

2 – Oury C, Donis N, Marechal P. Can Body Fat Cause Aortic Stenosis? Lessons From Genetics. J Am Coll Cardiol. 2020 Jan 21;75(2):177-179.


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