Estenose Aórtica

Melhor estratificação

A função sistólica, durante muitos anos, foi avaliada apenas pela fração de ejeção do ventrículo esquerdo. Inicialmente através do método de Teicholz e depois com avaliações por Simpson e até mesmo 3D, a fração de ejeção é apenas um dos métodos que usamos para avaliar uma possível disfunção sistólica.

Métodos mais recentes conseguem avaliar o poder contrátil de determinados segmentos do ventrículo esquerdo. O strain, através da avaliação da deformação do miocárdio durante a sístole, consegue nos dar informações sobre a capacidade contrátil de forma mais sensível do que a fração de ejeção.

Dados relativos a pacientes com queda na fração de ejeção nos mostram claramente que há perda de sobrevida associada a essa redução e trabalhos atuais mostram, inclusive, perda de sobrevida já em valores abaixo de 60%, mas ainda considerados normais.

Um novo método foi testado, avaliando uma medida de espessamento da parede do ventrículo correlacionado à tensão da parede que está diretamente relacionada à pós-carga do paciente.

Observando esses indivíduos, aqueles com fração de ejeção abaixo de 60%, mas ainda normais já apresentavam déficit na contratilidade com stress de parede elevados de forma inadequada. Já naqueles com valores acima de 60%, a tensão de parede estava compensada, mas nos indivíduos com hipertrofia concêntrica mais elevada, havia perda de contratilidade da parede.

Esses dados corroboram os achados fisiopatológicos encontrados na história natural da estenose aórtica, demonstrando como a elevação da pós-carga cria mecanismos de compensação e também como eles se esgotam e evoluem para um contexto prejudicial.

Embora o método proposto seja mais difícil de ser obtido atualmente do que o cálculo do strain, podemos tê-lo no nosso arsenal diagnóstico e lançar mão em situações limítrofes e duvidosas. 

Cada vez mais, caminhamos para uma melhor estratificação diagnóstica. Já abordamos recentemente aqui na nossa plataforma a avaliação multimodalidade dos pacientes submetidos a TAVI e essa pode ser mais uma ferramenta na avaliação de screening.

Um aspecto que vem ganhando cada vez mais força é o cutdown da estenose aórtica que pode estar se deslocando, assim como na insuficiência mitral, para 60%, embora a explicação fisiopatológica seja muito diferente.

Literatura Sugerida: 1 – Ito S, Pislaru C, Miranda WR, et al. Left Ventricular Contractility and Wall Stress in Patients With Aortic Stenosis With Preserved or Reduced Ejection Fraction. JACC Cardiovasc Imaging. 2020 Feb;13(2 Pt 1):357-369.

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