Insuficiência Tricúspide

Sub-tipos…

A insuficiência tricúspide vem sendo pesquisada mais a fundo e como na insuficiência mitral, a análise do aparato valvar tricuspídeo é fundamental para entendermos a dinâmica morfofuncional valvar.

Nesse ponto, inicialmente a regurgitação tricúspide se divide em primária e secundária. De forma resumida a primária se limita a menos de 10% dos casos e tem a anomalia de Ebstein como a principal responsável, seguido das alterações secundárias ao fio de marcapasso.

A etiologia funcional ou secundária, assim como a mitral era tratada de forma única, agrupando uma diversidade de patologias distintas que levavam a uma dilatação do ventrículo direito, anel valvar e/ou átrio direito. Assim, num mesmo espectro tínhamos miocardiopatia primárias que acometiam o VD, hipertensão pulmonar primária ou secundária a doenças do lado esquerdo e quadros de fibrilação atrial de longa data que dilatavam o anel valvar à direita.

A ecocardiografia é o exame padrão ouro para a análise da valva tricúspide que pode ter associado a complementação tridimensional para melhor avaliação espacial. Chama atenção que, assim como na mitral, o comportamento de todos os elementos da anatomia é importante para entendermos os mecanismos.

Pacientes com hipertensão arterial pulmonar em geral desenvolvem uma dilatação arredondada do VD causando o chamado tethering. Já aqueles sem hipertensão apresentam conformação mais cônica com dilatação dos segmentos basais e modificação da anatomia do anel tricuspídeo.

Atualmente, para entendermos a abordagem da valva tricúspide, sabemos que uma insuficiência tricúspide em graus avançados tem impacto na curva de sobrevida, mas a indicação de tratamento é distinta de acordo com a etiologia. Da mesma forma, a técnica empregada varia de acordo com a etiologia em questão.

Em pacientes com insuficiência tricuspídea primária a presença de sintomas ou repercussão hemodinâmica é mandatória de intervenção. Já na etiologia funcional, a presença de outra valvopatia concomitante que demande abordagem, inclui a plastia com anel rígido como abordagem obrigatória no mesmo tempo cirúrgico. Quadros isolados, até o momento, não indicam abordagem cirúrgica convencional, mas com o avanço das técnicas percutâneas isso deve mudar.

Além de todas essas classificações surgem algumas relacionadas ao grau, ampliando o leque das já conhecidas discreta, moderada e importante com o possível acréscimo de maciça e torrencial.

O que temos atualmente é uma análise pormenorizada das valvopatias e a tricúspide segue um caminho interessante como a mitral, a complexa interação entre o binômio ventrículo-valva ganha aqui algumas peculiaridades como a hipertensão arterial pulmonar e a fibrilação atrial que podem mudar os rumos, tanto da classificação, quanto da terapêutica da valva tricúspide.

Literatura Sugerida:

  1. Prihadi EA, Delgado V, Leon MB, Enriquez-Sarano M, Topilsky Y, Bax JJ. Morphologic Types of Tricuspid Regurgitation: Characteristics and Prognostic Implications. JACC Cardiovasc Imaging. 2019 Mar;12(3):491-499.


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