Trombose em TAVI

Uma análise no baixo risco…

O uso do TAVI em pacientes idosos, mas com baixo risco cirúrgico progrediu depois da publicação dos seminais trials PARTNER 3 e EVOLUT LOW RISK. Muitos desfechos foram semelhantes aos indivíduos de risco intermediário e como esses são pacientes que apresentam tendência a uma maior longevidade, questionamentos sobre a durabilidade e eficiência hemodinâmica das próteses surgiram.

A trombose e a degeneração de uma bioprótese são processos distintos, mas intimamente relacionados, pois um pode ser gatilho do outro e os processos podem ocorrer em paralelo causando maior perda funcional protética.

Diversas publicações na literatura internacional têm trazido pontos sobre o adequado manejo antiplaquetário ou anticoagulantes nesses pacientes, inclusive em nossas recentes postagens sobre o GALILEO e o POPular TAVI.

Casos de trombose maciça com repercussão hemodinâmica são bem avaliados pela ecocardiografia, mas casos subclínicos ou mesmo apenas os espessamentos chamados de HALT são bem avaliados pela tomografia com melhor definição espacial.

O achado nos pacientes de baixo risco cirúrgico foi semelhante ao que temos acompanhado na literatura de modo geral. Não houve clara correlação entre a presença de HALT e elevação dos gradientes e aparentemente, esse achado é dinâmico ao longo do ano.

Quase 1/5 dos pacientes apresenta HALT em 30 dias e 1/3 ao longo de 1 ano, mas como dito, o achado pode ser resolver espontaneamente sem necessidade de medida terapêutica e sem repercussões clínicas negativas como elevação dos gradientes, deterioração acelerada da bioprótese ou fenômenos tromboembólicos.

Aparentemente o tipo de prótese também parece não estar relacionada aos desfechos de espessamentos subclínicos encontrados.

Confirmando os achados até o presente momento, HALT por si só não determina o tratamento com uso de anticoagulantes, mas foi visto que, em caso de repercussão hemodinâmica visualizada pela elevação substancial de gradientes e presença de sintomas clínicos, a pronta anticoagulação foi superior ao uso de dupla antiagregação na solução do quadro. Devemos nos lembrar apenas que anticoagulação nesse grupo específico traz junto uma série de riscos hemorrágicos.

Vale ressaltar que os dados encontrados nas próteses transcateter foram semelhantes aos achados nas próteses convencionais implantadas em pacientes de baixo risco, apontando para uma segurança semelhante, quando observamos essa complicação, entre os métodos intervencionistas.

Literatura Sugerida:

  1. Blanke P, Leipsic JA, Popma JJ, et al; Evolut Low Risk LTI Substudy Investigators. Bioprosthetic Aortic Valve Leaflet Thickening in the Evolut Low Risk Sub-Study. J Am Coll Cardiol. 2020 May 19;75(19):2430-2442.
  2. De Backer O, Dangas GD, Jilaihawi H, et al; GALILEO-4D Investigators. Reduced Leaflet Motion after Transcatheter Aortic-Valve Replacement. N Engl J Med. 2020 Jan 9;382(2):130-139.


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