Intervenção em Valvopatia

Cirurgia melhor que transcateter…

Desde 1984 quando ocorreu o primeiro relato de uma valvotomia mitral percutânea até os dias de hoje em que o TAVI veio como terapia alternativa e em alguns pontos superior na estenose aórtica vemos uma mudança na abordagem das doenças valvares.

Muitos serviços de cardiologia pelo mundo investiram em formação de grandes equipes intervencionistas e os atuais line-ups dos eventos científicos dão total ênfase na construção de fluxogramas e diretrizes que focam em abordagem minimalistas e com ênfase na abordagem transcateter.

No entanto, no cerne do Heart Team, está a avaliação de qual tratamento é o melhor para o paciente, com a opinião de diversos especialistas em doença estrutural do coração, incluindo o cirurgião.

E aqui nasce a principal pergunta, ainda há espaço para a cirurgia?

Claro que a pergunta foi instigante propositalmente, pois é óbvio que sim! Mas quando?

Há indicações precisas de abordagem cirúrgica convencional nos dias de hoje como envolvimento da aorta ascendente, lesões residuais de endocardite ou acometimento avançado de doença reumática da valva mitral. Nesses casos, não há, na atualidade, arsenal terapêutico por via transcateter que resolva essas patologias.

Já temos algumas valvopatias que podem ter abordagem tanto pela via convencional quanto pela via percutânea e para a tomada de decisão, temos que colocar na balança o critério invasividade e eficácia de correção. Muitas das vezes, mesmo sendo menos invasivo, a anatomia do paciente não permite uma adequada correção com os dispositivos transcateter. Isso independente dos resultados a longo prazo dos métodos que podem diferir e ainda demandam pesquisas direcionadas.

A existência de outra doença cardiovascular complexa também pode pesar na balança para a abordagem convencional, exemplo maior está na doença arterial coronariana com SINTAX muito elevado, em que a correção por via percutânea não é adequada, inviabilizando um TAVI em casos de patologias concomitantes.

Assim, mais uma vez, o papel do Heart Team é reafirmado, pois o objetivo aqui não é simplesmente decidir a melhor terapêutica, mas sim a melhor opção para o paciente e familiares. Diversos aspectos são analisados, muitas variáveis entram no jogo e, matematicamente, o número de casos preferíveis para abordagem convencional é maior pesando resultado, menos colaterais e sobrevida.

Portanto, muito se engana quem afirma que a cirurgia cardíaca, para doença valvar está com os dias contados…

Literatura Sugerida:

  1. Overtchouk P, Vahanian A, Modine T. Valvular heart disease: when does surgery remain the best option? EuroIntervention. 2019 Nov 20;15(10):831-836.


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