Leak após TAVI

Quem avalia melhor?

Pacientes que são submetidos a TAVI podem apresentar algumas complicações no pós-operatório, que apresentam impacto direto na curva de sobrevida. Inclusive, de acordo com o risco do desenvolvimento dessas complicações, algumas publicações chegam a inclusive orientar a intervenção convencional em detrimento do TAVI com a suposta complicação.

De forma geral, com impacto direto na sobrevida, temos a necessidade de marcapasso, que já foi abordada em outras postagens e a presença de uma regurgitação para-protética significativa, tema do nosso texto de hoje.

A presença de regurgitação para-protética ou simplesmente Leak já é avaliada pela ecocardiografia no intra-procedimento, podendo inclusive orientar a uma expansão com balão após o implante do dispositivo.

Mas em casos em que o resultado final permanece com o Leak, qual o método de imagem mais adequado para uma avaliação pormenorizada?

A avaliação ecocardiográfica trouxe alguns dados conflitantes, pois o grau da regurgitação variava consideravelmente entre observadores, muito provavelmente devido a sombras acústicas secundárias à prótese implantada. No entanto, para refluxos de graus mais elevados, a correlação foi bem melhor, sendo, portanto, um bom método.

Recentemente o famoso professor Pibarot sugeriu uma avaliação multimodalidade após a liberação do dispositivo ainda na sala de hemodinâmica, com diversas janelas ecocardiográficas associadas a análises da angiografia e uma classificação maior em 5 estágios (discreto, discreto a moderado, moderado, moderado a importante e importante), com o objetivo de melhorar a acurácia das medidas.

A ressonância foi utilizada para avaliar a fração regurgitante pelo Leak e nesse critério a definição desse método parece ser superior à ecocardiografia. Como o fator prognóstico que teve maior impacto nesses pacientes com graus elevados de hipertrofia concêntrica foi a fração regurgitante, aparentemente a ressonância parece ter um papel de avaliação prognóstica superior ao ecocardiograma, mas isso esbarra na praticidade do método atualmente recomendado.

De forma mais direta, a ecocardiografia é um bom método para avaliar graus avançados de regurgitação e perde nos gaus menores, mas nesse ponto não temos repercussão clínica considerável. A indicação de acompanhamento com ressonância fica para aqueles casos de discrepância entre clínica e laboratório, ou seja, naqueles pacientes muito sintomáticos e com avaliação ecocardiográfica com regurgitação discreta. Nesse ponto, vale pagar o preço para uma definição espacial e funcional mais precisa.

Literatura Sugerida:

  1. Papanastasiou CA, Kokkinidis DG, Jonnalagadda AK, et al. Meta-Analysis of Transthoracic Echocardiography Versus Cardiac Magnetic Resonance for the Assessment of Aortic Regurgitation After Transcatheter Aortic Valve Implantation. Am J Cardiol. 2019;124(8):1246-1251.


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