Strain na Estenose Aórtica moderada

Melhor estratificação…

A história natural da estenose aórtica proposta por Braunwald & Ross há mais de 50 anos, mostra que somente pacientes com estenose aórtica grave sintomática apresentam risco expressivo de mortalidade, cabendo a estes a intervenção, a época, troca valvar quando da presença de sintomas ou queda da função ventricular, manifestada por exames que demonstrassem redução da fração de ejeção do ventrículo esquerdo.

Houve um enorme avanço no conhecimento desta doença e atualmente, já há elementos para entender que pacientes com estenose aórtica moderada apresentam maior taxa de morbidade e mortalidade. Já existe em curso, um estudo o TAVR-Unload que estuda o impacto do implante transcateter de prótese aórtica em portadores de estenose aórtica moderada com redução da fração de ejeção do ventrículo esquerdo.

Neste contexto, um interessante estudo mostra que neste cenário de estenose aórtica moderada, a medida de deformação longitudinal do ventrículo esquerdo, strain longitudinal global (SLG), tem a capacidade de identificar um grupo de maior risco neste perfil de pacientes. Avaliando quase 300 pacientes com diagnóstico de estenose aórtica moderada, o SLG com valores (em módulo) inferiores a 15,2% aumentou o risco de eventos e mortalidade em 2,62 vezes. Este valor se mostrou robusto mesmo quando ajustados para a presença de doença arterial coronária, idade. O que chama atenção é que a fração de ejeção do ventrículo esquerdo não permitiu esta estratificação, e mesmo indivíduos com fração de ejeção igual ou superior a 60% tiveram este risco aumentado em 1,88 vezes.

Recentemente postamos aqui na plataforma thevalveclub o racional para o uso do strain nos pacientes portadores de valvopatias e, individualmente seu impacto na estenose aórtica. De forma geral, valores abaixo de 18% traziam pior prognóstico, independente da fração de ejeção, mas aqui abordamos inclusive os pacientes que não fechavam o diagnóstico para estenose aórtica importante. Em breve podemos vivenciar indicações robustas de intervenção já nessa fase da doença, o que hoje ainda é impensado.

Assim, cabe a nós, colegas da imagem, prover esta importante informação nos laudos de ecocardiografia, e aos colegas clínicos, solicitarem de foram compulsória esta medida que em sua maioria das vezes, é de fácil realização e execução.

Literatura Sugerida:

1 – Zhu D, Ito S, Miranda WR, et al. Left Ventricular Global Longitudinal Strain Is Associated With Long-Term Outcomes in Moderate Aortic Stenosis. Circ Cardiovasc Imaging. 2020;13(4):e009958.


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