Troca Mitral transcateter

Desafios atuais…

A regurgitação mitral é a valvopatia mais frequente no mundo ocidental e traz claro prejuízo na qualidade e sobrevida dos pacientes. A maioria dos casos de insuficiência mitral não é referenciada para correção cirúrgica, ou por serem de alto risco, ou por não terem indicação tão clara, como nos casos de acometimento funcional da valva. Diante disso, o uso de técnicas percutâneas poderia ser alternativa viável nesses casos, mas atualmente diversas controvérsias pairam sobre a adequada seleção desses pacientes.

O uso do Mitraclip já é difundido, mas diversas situações contraindicam seu uso como presença de calcificação em excesso, degeneração avançada dos folhetos, etc. Assim, devices como o Tendyne, Twelve Intrepd e outros seriam as alternativas, mas muito se preocupa com aspectos anatômicos.

Em centros franceses, pacientes encaminhados para avaliação de possibilidade de troca valvar mitral transcateter eram em sua maioria negados por presença de anel mitral muito grande, mais até do que risco de obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo. Essa última, figura como complicação anatômica mais grave a ser evitada, mas as mais recentes publicações nos mostram que esse risco, apesar de grave, não parece ser tão grande assim.

Foi visto que determinadas medidas do aparato mitral e dos diâmetros cavitários poderiam ajudar na triagem adequada desses pacientes. Anéis muito grandes, com área estimada acima de 17,6cm 2 ou diâmetro do anel acima de 39mm e diâmetro sistólico final do VE menor do que 32mm seriam os limites superior e inferior respectivamente. Como, em geral são pacientes em estágios avançados da doença, muito mais se contraindica por área acima do limite do que por cavidades pequenas.

O que temos atualmente é que esse procedimento ainda se limita a pacientes de muito alto risco cirúrgico ou inoperáveis e em centros de pesquisa, onde a adequada análise pré-procedimento ainda está sendo almejada. É imperioso que seja buscada tecnologia para o desenvolvimento de novos devices que se adaptem melhor a dinâmica do aparato mitral, evitando riscos de embolização por ancoragem deficitária ou obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo.

Literatura recomendada
1 – Coisne A, Pontana F, Tchétché D, et al. Transcatheter mitral valve
replacement: factors associated with screening success and failure. EuroIntervention.
2019 Dec 6;15(11):e983-e989.


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