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Trombose de prótese

Como foi dito, uma trombose aguda em bioprótese classifica essa disfunção como deterioração não estrutural. Em caso de lesão permanente no folheto, essa deterioração passa a ser estrutural e já abordamos esse acompanhamento. 

Voltando à situação aguda que é o objetivo dessa parte do texto, vamos ver como lidar com ela, separando em próteses biológicas ou mecânicas, para evitar que a repercussão se mantenha e possamos reverter o quadro nas primeiras horas da manifestação.

A trombose é caracterizada pela formação de trombo em alguma estrutura protética levando consequentemente a sua disfunção, podendo ter presença de tromboembolismo ou não. A presença de redução da mobilidade de algum folheto/elemento de uma prótese valvar é comum, mas a mainfestação clínica como sinais de disfunção protética é rara.

Alguns aspectos são fundamentais para entendermos e definirmos o diagnóstico e devem partir de situações clínicas definidas como uso de anticoagulantes, características da prótese como material e localização e condições inerentes ao paciente. Como dito anteriormente, próteses mecânicas são mais trombogênicas do que as biológicas.

A disfunção da prótese pela trombose pode se manifestar como redução da mobilidade de algum folheto/elemento móvel, falha de coaptação ou espessamento dos mesmos causando elevação dos gradientes e redução do orifício efetivo de fluxo ou refluxo protético central. Assim, podemos ter disfunções do tipo estenose, insuficiência ou até mesmo duplo mecanismo.

O risco de trombose também é maior em posição mitral quando comparado à posição aórtica e é ainda maior no lado direito do coração. 

Próteses mecânicas tem incidência que varia de 0,1 a 5,7% por pacientes ano, mas por ser sub-diagnosticado pela ausência de sintomas e dificuldades técnicas na realização da ecocardiografia, algumas séries apontam quase 10% de prevalência. Nas biopróteses a incidência é bem menor variando de 0,03 a 0,38% paciente ano, podendo chegar em até 1% nas de posição tricúspide, principalmente nos primeiros 3 meses, fase em que não ocorreu a adequada endotelização do dispositivo, deixando exposto ao plasma, material protético.

A incidência de trombose em próteses transcateter ainda é considerada incerta, mas publicações atuais sugerem valores próximos às biológicas convencionais.

A manifestação principal em casos de trombose é a dispneia, diferente do que muitos esperariam, fenômenos embólicos são raros, mesmo em tromboses maciças de próteses.

Situações infrequentes, incluem infartos embólicos por embolias de trombos formados em próteses mecânicas.

No exame físico desses pacientes, podemos encontrar sopros que antes não existiam devido a disfunção protética do tipo estenose ou insuficiência e, no caso de próteses mecânicas, ausência ou abafamento de clicks metálicos, por redução da mobilidade de um determinado elemento móvel.

Próteses mecânicas podem ter avaliação complementar com fluoroscopia, para acompanhar a mobilidade dos elementos móveis e auxiliar no diagnóstico de trombose.

Literatura Sugerida:
1 – Braunwald, Eugene. Tratado de medicina cardiovascular. 10ª ed. São Paulo: roca, 2017. v.1 e v.2.

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