A área valvar aórtica

Insights ecocardiográficos…

O ecocardiograma constitui a principal ferramenta de imagem para estabelecer a presença, gravidade e repercussão das valvopatias.

Na estenose aórtica, possibilita além de identificar a lesão morfológica da valva, por exemplo, bivalvular ou trivalvular, estimar qual o impacto desta estenose por meio da análise dos gradientes transvalvares e definição da área valvar.

Esta última, merece importante consideração: a medida da área valvar aferida pelo ecocardiograma não é a medida anatômica, e sim o orifício efetivo de fluxo. Este valor é obtido pelo princípio de conservação de massa. O orifício é calculado com base no volume ejetado do ventrículo esquerdo e no gradiente gerado entre o ventrículo e a aorta. Tal conceito de medida faz-se necessário por uma série de motivos, como por exemplo a facilidade e reprodutibilidade desta medida e sua eficiência em estabelecer o risco de pacientes.

A medida direta da área valvar por meio de imagens ecocardiográficas bidimensionais ou mesmo tridimensionais, são situações de exceção. A valva aórtica estenótica na sua maioria das vezes acompanha-se de calcificação de seus folhetos, o que causa dificuldades para o cálculo direto da área valvar.

Ainda hoje, há um conceito de se solicitar a medida de área valvar aórtica pela planimetria direta do orifício, especialmente quando há discordância entre os valores dos gradientes valvares e da área da valva aórtica. As recomendações nacionais e internacionais são muito claras em recomendar esta situação como medidas alternativas, pela pouca acurácia da medida, seja por presença de imagens inadequadas, seja pela discordância com o orifício efetivo de fluxo (a área anatômica é maior que o orifício efetivo de fluxo) que norteiam as diretrizes.

Literatura recomendada
1 – Nishimura RA, Otto CM, Bonow RO, et al. 2017 AHA/ACC Focused Update of the 2014 AHA/ACC Guideline for the Management of Patients With Valvular Heart Disease: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. Circulation. 2017 Jun 20;135(25):e1159- e1195.

2 – Baumgartner H, Falk V, Bax JJ, et al; ESC Scientific Document Group. 2017 ESC/EACTS Guidelines for the management of valvular heart disease. Eur Heart J. 2017 Sep 21;38(36):2739-2791.

3 – Tarasoutchi F, Montera MW, Ramos AIO, et al. Atualização das Diretrizes Brasileiras de Valvopatias: Abordagem das Lesões Anatomicamente Importantes. Arq Bras Cardiol. 2017;109(6 suppl 2):1-34.

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