A disseminação de TAVR

Curva de aprendizado…

Em todas as mesas de debates científicos, quando se fala em estenose aórtica é impossível que não se fale em TAVR. Chegamos ao ponto de que pacientes jovens e com estenose aórtica discreta já vem ao consultório perguntando sobre a cirurgia pela virilha…

Claro que os benefícios de TAVR são inegáveis, mas não estaríamos passando a linha do risco com a difusão desse tipo de procedimento para centros com expertise limitada?

Nos Estados Unidos, foi feito um levantamento interessante sobre os centros que realizavam TAVR e viu-se que se o centro não tinha alta demanda de cirurgia convencional de troca valvar aórtica, muito provavelmente teriam resultados insatisfatórios nos procedimentos TAVR. E isso também pode ser observado no Brasil, se determinado hospital nem tem volume de cirurgia cardíaca, deveria ele se aventurar a realizar TAVR? Acho que não…

De forma mais direta, estabeleceu-se uma curva de aprendizado hospitalar baseada no volume de cirurgias de troca valvar aórtica convencional. Centros que tinham menos de 100 casos operados/ano, apresentavam resultados inferiores àqueles com mais de 200 cirurgias por ano. A diferença? De 31,7% de risco de morte em 30 dias para apenas 7,5%.

As razões que explicariam isso se baseiam principalmente na presença de um Heart Team institucional forte, incluindo, além de toda a equipe que sempre falamos por aqui, cirurgião e intervencionista com demanda elevada dessa comorbidade. O interesse no TAVR dos integrantes de um Heart Team de uma instituição com essa demanda é razão fundamental dessa relação inversa entre volume de SAVR e complicações no TAVR.

Para a adequada acreditação do centro para ter Heart Team e poder realizar TAVR, deve, nos Estados Unidos, ter ao menos 50 cirurgias convencionais realizadas no ano, bem diferente da regulação que vemos aqui pelo Brasil. Afinal de contas, o TAVR é mais do que um mero procedimento. É parte de um programa de tratamento abrangente da estenose aórtica, baseada numa equipe clínica com decisões compartilhadas.

A aventura que vemos de pequenos serviços em realizar TAVR pode custar caro, não só para os cofres das seguradoras, mas também para o paciente que está sendo tratado na instituição com baixa demanda e, portanto, baixa expertise…

Literatura recomendada
1 – Hirji SA, McCarthy E, Kim D, et al. Relationship Between Hospital Surgical Aortic Valve Replacement Volume and Transcatheter Aortic Valve Replacement Outcomes. JACC Cardiovasc Interv. 2020 Feb 10;13(3):335-343.


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