Graduação da valvopatia

Cada valvopatia tem seus próprios critérios de graduação da lesão. Através de medidas de parâmetros ecocardiográficos, o médico consegue entender se se trata de uma lesão discreta, moderada ou importante e isso é fundamental tanto para a adequada classificação de gravidade, quanto para o acompanhamento do paciente.

Pacientes classificados como portadores de lesão valvar discreta, raramente desenvolvem sintomas secundários a valvopatia e não tem indicação de intervenção, seja por cirurgia, seja por tratamento transcateter.

Lesões estenótica, de forma geral, tem a gravidade avaliada por dois critérios: área valvar e gradiente transvalvar. Por exemplo, em uma estenose aórtica, temos a dificuldade de ejeção do sangue do ventrículo esquerdo para a artéria aorta durante a sístole ventricular. Quanto menor a área de abertura da valva aórtica, pior será o grau da estenose. Valores abaixo de 1,0cm2 classificam a estenose como importante e de forma similar, a estenose cria um gradiente de pressão ejetivo. Valores de gradiente sistólico médio acima de 40mmHg classificam a estenose como importante.

Já lesões regurgitativas, de forma geral, tem a gravidade avaliada pelo volume de sangue que regurgita e pelo tamanho do orifício que a valva doente deixa acontecer. Por exemplo, uma insuficiência mitral que apresente um volume regurgitante acima de 60mL/bat é classificada como importante e, da mesma forma, quando o orifício regurgitante (aqui chamado de ERO – do inglês orifício efetivo de refluxo) está acima de 0,4cm2, a insuficiência mitral é importante.

Vale ressaltar que toda lesão valvar vista pelo ecocardiografista deve ter sua etiologia profundamente avaliada. Falaremos mais sobre etiologia da doença valvar nas próximas postagens, mas já adiantamos que a etiologia é fundamental para se indicar ou não uma determinada correção da valvopatia e sua definição pode trazer algumas peculiaridades na classificação e/ou tratamento.

Lesões valvares importantes, além dos parâmetros estabelecidos em diretrizes [http://publicacoes.cardiol.br/2014/diretrizes/2017/05_DIRETRIZ_VALVOPATIAS.pdf] devem sempre vir acompanhadas de repercussão hemodinâmica proporcional. Para exemplificar isso, diante de uma insuficiência mitral crônica importante é imperativo que encontremos um átrio esquerdo de aumento importante. Exceto em casos de regurgitação aguda como na ruptura de músculo papilar por infarto agudo do miocárdio, o átrio esquerdo se dilata para acomodar o volume excedente de sangue ao longo dos anos. Logo, se você encontrar um ecocardiograma com a descrição de uma insuficiência mitral importante e um átrio de dimensões preservadas, estamos diante de um erro: ou a insuficiência mitral não é importante, ou o átrio foi medido de forma inadequada.

Abaixo os valores de referência utilizados atualmente para a classificação das valvopatias:

Insuficiência Mitral:

Insuficiência Aórtica:

Estenose Mitral:

Estenose Aórtica:

Literatura sugerida
1- Braunwald, Eugene. Tratado de medicina cardiovascular. 10ª ed. São Paulo: roca, 2017. v.1 e v.2.

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