A Doença Valvar

Abordagem contemporânea

A doença estrutural cardíaca valvar no início dos anos 2000 acometia 2% da população mundial, mas tanto seu tratamento, quanto seu manejo e diagnóstico sofreram grandes alterações recentes, principalmente com a implementação de diversos tratamentos transcateter.

Em uma análise continental, dados da sociedade europeia de cardiologia nos mostram que as doenças valvares mais frequentes são a estenose aórtica e a insuficiência mitral degenerativa, principalmente em populações de idosos. Nos últimos 20 anos, presenciamos um aumento de algo em torno de 10% na prevalência da estenose aórtica senil com uma queda substancial na estenose mitral, sinalizando a redução do acometimento reumático no continente. Comparativamente, o uso de modalidades de imagem que se valham do estresse tem seu papel reduzido na estratificação, enquanto a tomografia vem despontando como método de uso disseminado, como na estenose aórtica.

A avaliação de patologias da valva aórtica apresenta maior concordância entre os métodos para indicar a intervenção do que os métodos de imagem relativos a valva mitral e tricúspide, reafirmando a necessidade do Heart Team 2.0 focado nessas valvas cardíacas.

Dado muito interessante é que, como nos centros terciários brasileiros, o paciente costuma ser encaminhado para esse serviço já em estágio avançado de acometimento valvar. Na Europa, em torno de 40% dos pacientes são admitidos em centros terciários já com indicação de intervenção prévia, sendo desses, até 1/3 necessitando de internação hospitalar imediata. Esse descompasso pode ter sido causado por algumas razões, como baixo nível técnico médico assistencial, principalmente assinalado pela ausculta cardíaca deficitária e tratamento médico clínico- medicamentoso inadequado, mascarando os sintomas e atrasando o tratamento adequado, o que aponta também para baixa capacidade técnica do profissional.

Imaginando apenas as indicações classe I, patologias da valva aórtica recebem adequadamente apenas 80% de indicação enquanto a valva mitral apenas 65%, fato esse, provavelmente justificado pela maturidade do TAVR no arsenal terapêutico das valvopatias. Insuficiência mitral funcional teve apenas 38% dos pacientes submetidos a intervenção, compatível com os atuais guidelines relativamente restritivos a esse procedimento.

Literatura recomendada
1 – Iung B, Delgado V, Rosenhek R, et al. Contemporary Presentation and Management of Valvular Heart Disease: The EURObservational Research Programme Valvular Heart Disease II Survey. Circulation. 2019 Sep 12.


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