Custo-efetividade TAVR vs SAVR

TAVR é mais caro?

As publicações mais recentes sobre a comparação de troca valvar aórtica transcateter e troca valvar cirúrgica convencional, em pacientes de baixo risco, mostram basicamente que as duas técnicas não apresentam diferença quanto a sobrevida e AVC. Os mais entusiastas do TAVR comemoram esses resultados, demonstrando que pacientes que tem indicação para troca valvar cirúrgica poderiam realizar o TAVR sem prejuízos, mas aqueles que defendem a cirurgia nos mostram que não há superioridade do TAVR em relação ao SAVR e constantemente argumentando sobre os custos elevados do novo procedimento.

Afinal, TAVR é realmente mais caro do que SAVR?
Recentemente foi publicado um trabalho interessante comparando os gastos de ambos os métodos em pacientes de baixo risco cirúrgico e viu-se que, estatisticamente, não houve diferença no final do tratamento. O dispositivo TAVR é de custo elevado, mas isso acaba por desaparecer devido ao número de complicações e curta internação, quando comparado ao procedimento tradicional. Aqui ressaltamos a única exceção: quando necessário for implantar um marcapasso. Nesse ponto, os custos do tratamento transcateter ficam mais elevados do que o convencional.

Fora os dados financeiros, pacientes que se submetem a TAVR referem melhora mais rápida na qualidade de vida e nesse aspecto é difícil quantificar financeiramente o impacto.

Pendendo a balança para o TAVR, imaginamos que os devices ainda tem muito a evoluir nos próximos 10 anos e devemos presenciar uma redução significativa no número de complicações, o que parece que não deve ocorrer no SAVR, visto já estarmos em uma maturidade maior do procedimento que é desenvolvido a aproximadamente 50 anos. O número de dias internados tem impacto direto na chamada “síndrome pós-hospitalar” ainda mais pronunciada em pacientes idoso e que apresentam impacto direto, tanto na sobrevida, quanto nos custos ao sistema de saúde.

Vale ressaltar que essa comparação se deu baseada no NOTION trial, que ocorreu em países do norte europeu. Lá, TAVR era comparado com cirurgia convencional com uso dos melhores equipamentos, bem como próteses cardíacas de alta performance. O que vemos no Brasil é algo diferente. O SUS usa próteses de qualidade duvidosa, com custo bem inferior ao que temos no sistema privado nacional. Nesse contexto, comparar um método com outro é impossível, mas se o gestor tiver um pingo de bom senso, saberá que o número de complicações inerentes ao uso de material de baixa qualidade elevará os custos finais no longo prazo. É o famoso barato que sai caro, mas bem diferente da mentalidade de países de primeiro mundo, o Brasil mantém o raciocínio de fechar as contas em sua gestão atual, não interessando saber o que teria impacto em uma próxima gestão de outro “político”.

Em medicina de ponta, TAVR e SAVR parecem ter o mesmo custo total, o que desmonta boa parte desse discurso de que TAVR é muito caro, mas aqui também vale ressaltar, cada caso tem sua adequada indicação.

Literatura recomendada
1 – Geisler BP, Jørgensen TH, Thyregod HGH, et al. Cost-effectiveness of transcatheter versus surgical aortic valve replacement in patients at lower surgical risk: results from the NOTION trial. EuroIntervention. 2019 Dec 6;15(11):e959-e967.


Baixar Artigo

Deixe um Comentário

Privacidade e cookies: Este site usa cookies. Ao continuar no site você concorda com o seu uso. Para saber mais, inclusive como controlar cookies, veja aqui: Política de cookie

As configurações de cookies deste site estão definidas para "permitir cookies" para oferecer a melhor experiência de navegação possível. Se você continuar a usar este site sem alterar as configurações de cookies ou clicar em "Aceitar" abaixo, estará concordando com isso.

Fechar