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Avaliação do anel mitral pela Ecocardiografia 3D

Avaliação do anel mitral pela Ecocardiografia 3D

Há validade no seu emprego?

A insuficiência valvar mitral é uma das valvopatia mais prevalente em todo mundo. O diagnóstico preciso da sua gravidade e o entendimento do seu mecanismo são fundamentais para o melhor tratamento. A valvopatia primária está relacionada a patologias referentes ao aparato valvar mitral e a secundária a patologias no ventrículo ou átrio esquerdo que indiretamente geram regurgitação mitral. 

Portanto, a distinção entre estes mecanismos e o adequado estudo das estruturas do aparato valvar mitral é de suma importância. Entretanto, a valva mitral tem uma morfologia complexa tridimensional que pode não ser adequadamente avaliada por imagens bidimensionais. Em particular, o anel valvar mitral tem um formato de sela não planar, assim disposto para reduzir o estresse mecânico sobre as cúspides e as cordas tendíneas imposto pela alta pressão ventricular esquerda. 

Alterações no tamanho, formato e dinâmica do anel mitral são relacionadas com o desenvolvimento e gravidade da insuficiência mitral. Sabe-se, por exemplo, que em etiologias funcionais, podemos observar aumento do anel mitral, principalmente em seu diâmetro anteroposterior, redução de sua contração sistólica inicial, além de redução de sua altura. 

Já em patologias primárias do aparato mitral, há aumento do diâmetro intercomissural e diminuição da dinâmica ao longo do ciclo cardíaco. Observou-se, também, que na cardiomiopatia hipertrófica, o ângulo entre a valva mitral e a valva aórtica torna-se mais agudo e este é um parâmetro preditivo para ocorrência de obstrução dinâmica da via de saída do ventrículo esquerdo.

Sabe-se, atualmente, que há ótima correlação entre a anatomia valvar mitral obtida pela Ecocardiografia transesofágica (ECO TE) 3D e a anatomia cirúrgica, sendo um dos maiores avanços recentes da ecocardiografia.  Entretanto, a realização de um ECO TE para avaliação inicial e seguimento de todos os pacientes com insuficiência mitral se torna algo pouco custo-efetivo e de difícil implementação na prática clínica. 

Nesse contexto, um artigo liderado por Luigi P. Badano, demonstrou que há uma ótima correlação e reprodutibilidade entre as medidas do anel mitral obtidas pelo ecocardiograma transtorácico 3D daquelas obtidas pelo ECO TE 3D, usando software específico para tal avaliação. 

Além disso, conseguiu-se estabelecer valores de referência de normalidade para medidas estáticas e dinâmicas do anel valvar mitral, porém tendo como referência um número pequeno de pacientes saudáveis. Foi demonstrado que o tamanho do anel mitral tem correlação com gênero e superfície corporal, porém não com a idade.

O método é bastante promissor, principalmente no que se diz respeito à diferenciação entre os mecanismos de regurgitação mitral, porém há alguns desafios para sua implementação em larga escala, como menor resolução de imagem em relação ao ECO TE 3D, necessidade de adequada janela acústica apical, além de necessidade de se avaliar o paciente em ritmo sinusal.
Ficamos, então, à espera de que o método seja logo difundido, com valores estabelecidos de normalidade, e aplicável a grande parcela da população para que melhor possamos individualizar o tratamento de nossos pacientes.

Literatura Sugerida: 

  1. Mihăilă S, Muraru D, Piasentini E, et al. Quantitative analysis of mitral annular geometry and function in healthy volunteers using transthoracic three-dimensional echocardiography. J Am Soc Echocardiogr. 2014 Aug;27(8):846-57.

Confira o artigo completo

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