Bioprótese Aórtica

Sinais de deterioração

Algumas publicações trazem dados interessantes do acompanhamento de indivíduos que fazem troca valvar acima dos 50 anos. Mesmo que a maioria dos consensos recomendam que essa seria uma faixa etária em que tanto o implante de uma bioprótese, quanto uma prótese mecânica são recomendadas, aparentemente essa escolha não tem impacto na sobrevida.

Assim sendo, cada vez mais estamos acompanhando a indicação de biopróteses em idades mais baixas, principalmente pela possibilidade de, em caso de disfunção, realizar um valve-in-valve.

No entanto conhecer o comportamento desses dispositivos biológicos é fundamental para sabermos a hora certa de agir.

Diante dos novos conceitos que formam a classificação de deterioração de bioprótese até a falência da mesma, alguns acompanhamentos ecocardiográficos têm sido realizados.

Sabendo que a deterioração parte de um processo de calcificação, algumas vezes agravado pela reação imune contra antígenos nos folhetos, comorbidades como hipertensão arterial, dislipidemia, doença renal crônica avançada, síndrome metabólica e diabetes são conhecido fatores que aceleram esse processo.

Idade menor também parece ser um fator de má evolução, visto que esses indivíduos ainda têm um metabolismo mais ativo e podem evoluir com calcificação mais intensa.

Implante de próteses pequenas para o paciente, o chamado mismatch, também é um fator de risco para deterioração, pois cria-se um gradiente e um turbilhonamento do jato que lesa e calcifica os folhetos.

Dados antigos traziam em acompanhamento de 8-10 anos, uma incidência de deterioração de até 10%, mas com a nova classificação e a melhora dos métodos diagnósticos, até 20% pode ser encontrado no mesmo período.

Outro dado que pode ter interferido nesses dados antigos é que pacientes mais idosos nem eram mais rastreados, por estarem fora de uma janela terapêutica intervencionista à época.

Mesmo motivados pela possibilidade de correção futura com a abordagem transcateter, devemos saber que as biopróteses degeneram com velocidade aumentada no grupo de risco e que nem todos os pacientes, com o que dispomos na atualidade, são elegíveis para um Valve-in-Valve.

Será que em um indivíduo de 50 anos, cheio de comorbidades e anel pequeno não mereceria um implante de uma prótese mecânica?

Literatura Sugerida:
1 – Nitsche C, Kammerlander AA, Knechtelsdorfer K, et al. Determinants of Bioprosthetic Aortic Valve Degeneration. JACC Cardiovasc Imaging. 2020 Feb;13(2 Pt 1):345-353.

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