Correção transcateter da Insuficiência Mitral

Há diferença entre as técnicas?

Atualmente, estamos acompanhando o desenvolvimento de diversas técnicas transcateter para a correção da insuficiência mitral, sendo o mais difusamente utilizado o Mitraclip, que é um dispositivo que aproxima os folhetos da valva mitral. Foi idealizado através da técnica de Alfieri para a correção de uma insuficiência mitral e também é chamada de correção Edge-to-Edge.

Como temos falado há alguns meses, o aparato mitral é complexo e intervir em partes diferentes desse complexo mecanismo pode trazer resultados diferentes. Assim surgiram outros devices que não atuam nos folhetos, mas sim no anel mitral, como o Cardioband. Existem menos casos na literatura de utilização desse device, mas será que no contexto de uma insuficiência mitral secundária, encontraríamos desfechos distintos entre essas duas técnicas?

Poucas publicações comparam as duas técnicas de correção da insuficiência mitral no paciente com etiologia funcional, mas sabemos no quesito segurança para o paciente, ambas apresentam excelentes resultados.

Buscando uma análise mais a fundo, viu-se que são pacientes de alto risco cirúrgico, assim como nas maiores publicações sobre correção transcateter de insuficiência mitral. Aqueles que tinham fração de ejeção menor do que 30% apresentavam desfechos piores com maiores taxas de mortalidade.

Quanto a mortalidade, ambas as técnicas apresentaram resultados semelhantes e que também foram semelhantes à literatura, mas aparentemente, o uso de Cardioband nesse cenário apresentou melhores resultados quanto a classe funcional a longo prazo e menores taxas de readmissão hospitalar em 1 ano. O uso do Cardioband também demonstrou melhores resultados hemodinâmicos, como gradiente diastólico menor e melhor remodelamento ventricular a médio prazo.

Para tentar explicar esse achado, analisou-se o status do ventrículo esquerdo desses pacientes e o padrão mais se aproximava dos pacientes do MITRA-FR, ou seja, menores frações de ejeções, com ventrículos mais dilatados e um volume de insuficiência mitral mais proporcional ao tamanho da cavidade. Em outras palavras, um paciente em uma fase mais tardia da doença.

Diante disso, uma anuloplastia parece ter melhor impacto na dinâmica contrátil do ventrículo em relação ao dispositivo Edge-to-Edge, o que justificaria o aparente melhor resultado do Cardioband sobre o Mitraclip nessa coorte.

Com a atual geração de dispositivos, o que parece estar sendo consolidado é que o Mitraclip não parece uma boa alternativa na insuficiência mitral funcional com ventrículos muito dilatados e com baixa fração de ejeção. Seria esse o nicho ideal para o Cardioband?

Literatura recomendada

1 – – Weber M, Öztürk C, Taramasso M, et al. Leaflet edge-to-edge treatment versus direct annuloplasty in patients with functional mitral regurgitation. EuroIntervention. 2019 Nov 20;15(10):912-918.


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